Técnico estrangeiro é bom negócio?

Os técnicos estrangeiros aparentam ser mais bem preparados do que os brasileiros

Sergio du Bocage - 09/08/2017 13h56

Reinaldo Rueda Foto: Conmebol

Desde 2005, sete times da Série A do Brasileirão investiram num técnico estrangeiro: o Corinthians, com o argentino Daniel Passarella (2005); o Internacional, com os uruguaios Jorge Fossatti (2010) e Diego Aguirre (2015); o Palmeiras, com o argentino Ricardo Gareca (2014); o Atlético-PR, com o espanhol Miguel Angel Portugal (2014); o São Paulo, com o colombiano Juan Carlos Osório (2015) e o argentino Edgardo Bauza (2016); o Atlético-MG, com o mesmo Aguirre (2016); e o Vitória, com o sérvio Petkovic (2017). Nenhum deu certo.

Aliás, nenhum técnico estrangeiro num time brasileiro conquistou Libertadores ou qualquer competição de nível nacional. Por isso, a iniciativa do Flamengo em tentar o colombiano Reinaldo Rueda cria expectativas. Diante dos resultados anteriores, será que vale a pena o investimento, ainda mais no meio de uma temporada?

O fato é que os técnicos estrangeiros aparentam ser mais bem preparados do que os brasileiros. Nossos técnicos não têm a certificação exigida pelos europeus, por exemplo, para trabalharem lá. Por aqui, só o Milton Mendes, que está no Vasco, tem os diplomas da UEFA, do nível 1 ao 4. Não é à toa que nas principais ligas europeias e na Liga dos Campeões, não há técnicos brasileiros.

Três brasileiros dirigem seleções nacionais, mas só um vai à Copa: Tite, pelo Brasil. Beto Bianchi, de Angola, e Leonardo Vitorino, do Camboja, não se classificaram nas eliminatórias. Os técnicos alemães estão em 10 seleções; os argentinos, em oito.

Diante desse quadro, vale investir num treinador estrangeiro?


Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.