Os amistosos da Seleção

Seleção Brasileira termina o ano invicta, após a Copa, com seis vitórias em seis amistosos. Mas qual o lucro disso para o futuro?

Sergio du Bocage - 21/11/2018 17h56

Seis jogos, seis vitórias. Contra Estados Unidos, El Salvador, Argentina, Arábia Saudita, Uruguai e Camarões. 12 gols a favor, nenhum gol contra. Sem dúvida um retrospecto de respeito, mas qual o lucro que a Seleção Brasileira teve com esses jogos – além do financeiro para a CBF -, pensando no objetivo maior que é a Copa do Mundo de 2022?

Antes da Copa, vencemos em amistosos a Rússia, a Alemanha, a Croácia (vice-campeã do mundo) e a Áustria. O que isso representou, qual foi o ganho que tivemos? Perdemos para a Bélgica nas quartas-de-final, taticamente envolvidos e sem ter do que reclamar.

Alguma coisa acontece que a Seleção Brasileira não brilha nos mundiais. Não falta experiência internacional, porque a grande maioria dos jogadores já atua nas principais ligas europeias. Não falta qualidade, e para isso basta ver o quanto pagam por nossos jogadores nas transferências internacionais. Não faltam condições de trabalho. O técnico é apontado como dos melhores do mundo.

Ao que parece, o que falta é futebol. O brasileiro. O que nos levou a conquistar cinco Copas do Mundo, que se diferenciava dos demais pela habilidade, pela alegria, pelos dribles, pela irreverência, pela surpresa que causava nos adversários. Hoje fazemos o padrão europeu, força física, tática, marcação. Nos igualamos para baixo, copiamos, quando devíamos ser copiados. Mas o que temos – a habilidade natural surgida nos campos de pelada -, não dá pra ser repetido a base de treinamentos. É dom.

No entanto, esse dom está sendo reprimido, a partir do momento em que nossos jogadores deixam o Brasil quando completam 18 / 19 anos. Vão lá pra fora, se transformam em mais um jogador europeu, com uma qualidade um pouco superior, mas sem qualquer identificação com o Brasil, com a história do nosso futebol, muito menos de nossos clubes. Para a torcida, são prováveis ídolos distantes.

Num ano em que os clubes já foram prejudicados, no mundo inteiro, pelo aperto de datas provocado pela realização da Copa, teria sido melhor que nem as datas Fifa acontecessem. Mas já que disso não pudemos fugir, então eu teria usado todos os dias para treinar, aqui no Brasil, com esses jogadores. Acho que o lucro futuro teria sido maior do que com esses amistosos dos quais nem vamos lembrar, ano que vem.

Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.

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