Opinião Sergio du Bocage: No Brasileirão, quem poupa… não tem!

Árbitro de vídeo custaria R$ 1 milhão para cada clube caso fosse implementado em todo o Campeonato Brasileiro. Mas, não foi... e os problemas começam a surgir

Sergio du Bocage - 18/04/2018 12h36

Árbitro de vídeo custaria R$ 1 milhão para cada clube caso fosse implementado em todo o Campeonato Brasileiro Foto: CBF/Marcos Paulo Rebelo

Ao contrário de um slogan antigo e famoso de um banco público, no Campeonato Brasileiro, que começou no último fim de semana, quem poupa, não tem!!! Por reles R$ 1 milhão para cada um dos 20 clubes da Série A, não teremos o árbitro de vídeo nos jogos do principal campeonato do país. Por causa disso, já tivemos clubes com prejuízo logo na primeira rodada e, como prova de que nossa arbitragem continua ruim, um trio inteiro afastado para reciclagem! Tipo recall de automóvel. Mas, no caso, é como se o carro tivesse saído da concessionária e na primeira volta pelo quarteirão já desse problema.

Quando eu falo “reles R$ 1 milhão”, não se assuste. Dos 20 times que votaram pela implantação ou não do sistema, apenas sete foram favoráveis a ele: Flamengo, Botafogo, Bahia, Chapecoense, Palmeiras, Grêmio e Internacional. O São Paulo se absteve e os outros 12 não quiseram gastar algo em torno de R$ 27 mil por partida. Se você considerar que a diferença de premiação entre os dois primeiros colocados é de R$ 6,7 milhões; para o terceiro, mais R$ 3,6 milhões e assim sucessivamente, um erro de arbitragem pode tirar, no mínimo, R$ 100 mil de premiação a um clube – que é a diferença entre os prêmios pagos aos 15º e 16º colocados ano passado. Mais a cota de TV, os patrocínios etc etc, dá, e bem, para pagar pelo investimento.

O fato chama ainda mais a atenção porque a multimilionária CBF não coça o bolso para valorizar seu principal campeonato. É o Brasileirão!!! Do qual ela se orgulha em dizer que é o mais difícil do mundo, com muito mais candidatos ao título do que qualquer campeonato nacional pela Europa. E mesmo assim ela joga para os clubes o custo de uma tecnologia que deveria ser dela, como organizadora e promotora.

Lamentável. E pra finalizar e piorar tudo – na Copa do Brasil, a partir das quartas de final, o árbitro de vídeo será utilizado. E quem vai bancar é a mesma CBF. Dá pra entender?

Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.