O polêmico árbitro de vídeo

Motivos não faltam para os favoráveis à tecnologia defenderem suas ideias, nem para os que são contrários a ela

Sergio du Bocage - 20/09/2017 15h58

O polêmico árbitro de vídeo / Foto: Reprodução

Não se cogita mais um evento esportivo sem o uso de tecnologias nas transmissões. E na grande maioria das competições, os recursos eletrônicos são utilizados para dirimir dúvidas dos árbitros. Então, por que no futebol, o mais popular esporte em todo o mundo, se demora tanto a adotar essa prática?

Motivos não faltam para os favoráveis à tecnologia defenderem suas ideias. Nem para os que são contrários a ela. E não caberia aqui listá-los. Eu prefiro falar do “árbitro de vídeo (VAR)”, que de uma hora para outra “vestiu o uniforme” e está prontinho para entrar em campo no Campeonato Brasileiro.

Sim, estava previsto no regulamento. Mas de repente a CBF decidiu implantar a tecnologia na 25ª rodada, logo depois de mais um erro grave dos árbitros. E isso sem preparar técnicos, jogadores, árbitros nem torcida. Porque o torcedor também precisa estar muito bem informado sobre isso. Saber, por exemplo, que o VAR só pode ser usado para esclarecer pênaltis, gols, cartões vermelhos e identificação errada de um jogador punido com cartão, desde que o árbitro do jogo requisite.

O lance do Jô, por exemplo, em que houve toque de braço antes de a bola entrar no gol… Poderia ser requisitado. Mas e se o toque com a mão tivesse acontecido no meio de campo, dando início ao lance que terminou em gol? Poderia ser requisitado o VAR?

Essa é só uma questão entre tantas outras. A pressa é inimiga da perfeição. E o nosso Brasileirão está muito longe de ser perfeito. Imagina com mais um inimigo pela frente!


Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.