O futebol-arte virou peça de museu?

Que tal a gente tentar recuperar nossa maior característica, até a Copa de 2022?

Sergio du Bocage - 05/09/2018 16h51

A CBF tem um museu. Lá está a história da Seleção Brasileira, com os troféus conquistados, os muitos uniformes utilizados, informações gerais do nosso futebol. Vale a pena a visita.

Coincidentemente, ao longo da semana passada, conversei com um dos responsáveis pela pesquisa para a criação do museu, um historiador do nosso futebol. Isso, logo na semana em que o Museu Nacional, com 200 anos de nossa história, foi consumido pelas chamas. Peças perdidas, como o verdadeiro futebol brasileiro.

Onde anda o futebol-arte? Virou peça de museu? Será que ele ainda existe, disfarçado em esquemas táticos, força física, velocidade? Para onde foram os dribles, a habilidade, a técnica apurada, aquelas características do nosso futebol que nos deram cinco títulos mundiais?

A discussão é longa, e já não é de hoje que se fala do trabalho feito nas divisões de base dos clubes. Em vez de revelar jogadores, a busca é por títulos. Driblar é perder tempo? Jamais! Toca rápido e se apresenta para receber na frente. Força e velocidade, infelizmente, têm ganhado espaço. Dá pra contar nos dedos os jogadores que aliam o futebol de ontem com o de hoje.

A seleção dos melhores do mundo da FIFA, em sua lista final, dá uma ideia disso. Messi ficou de fora. Não levaram em conta a boa temporada que ele fez no Barcelona, os muitos gols marcados, as assistências, os jogos que ele decidiu. Parece que o mau desempenho da seleção argentina na Copa pesou, mas o prêmio não é individual?

Nossa Seleção está reunida, início de trabalho até a Copa de 2022. Quando a gente mandava e punha arte em campo, foram três títulos quase seguidos. A partir do momento em que passamos a copiar os europeus, ganhamos tanto ou menos do que eles.

Vivam os museus! Mas nosso futebol-arte não pode ficar esquecido numa prateleira para ser apenas lembrado em fotos e vídeos.

Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.

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