Convocação para a Copa 2018: sem surpresas

Não significa que não tenha sido uma boa, mas é triste perceber que o futebol brasileiro está carente de bons jogadores

Sergio du Bocage - 16/05/2018 18h04

E saiu a lista definitiva de convocados da Seleção Brasileira para a Copa da Rússia. Sem vibração, sem novidades, sem polêmicas. Sem graça.

O que não significa que não tenha sido uma boa convocação, mas para quem já viu outros momentos iguais a esse, em Copas anteriores, é triste perceber que o futebol brasileiro está carente de bons jogadores.

Porque se há a justificativa de que Tite escolheu os jogadores pela coerência de seu trabalho, eu contraponho dizendo que não há alternativas, porque não temos muito mais jogadores em condições de vestir a camisa da Seleção do que esses 23 chamados.

E mais: o torcedor, que é quem provocava as polêmicas no passado, está distante desse time, com muito pouca identificação. Então tanto faria se, no lugar de Fred, tivesse sido chamado o Arthur, do Grêmio; ou o Giuliano na vaga do Taison; ou o Rafinha na de Fágner.

Mas o que chama a atenção é quando vemos as listas do Brasil e da Alemanha. Semana passada escrevi aqui sobre os jovens na Seleção. Na nossa, teremos apenas o Gabriel Jesus, com 21 anos; os demais estão com 24 ou mais. Na da Alemanha, que na Copa de 2014 tinha sete com até 23 anos, aparecem, agora, outros seis nessa condição.

Veem a diferença de renovação de valores, de investimento na base, de capacidade de se reinventar e revelar novos jogadores? É claro que isso não significa que a Alemanha será campeã do mundo de novo, mas também fica claro que ela vem forte, com novidades e com um futebol capaz de surpreender a qualquer um.

Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.