As cotas e TV

2019 vai obrigar os clubes a ajustes no fluxo de caixa. As cotas de TV terão novos valores e formas de pagamento

Sergio du Bocage - 15/11/2018 10h00

A divisão das cotas de TV entre os clubes de futebol no Brasil é assunto que está sempre em discussão. Há opiniões divergentes e quem diga que, por aqui, existe uma quase “espanholização” dessas cotas, querendo comparar o que se faz aqui com os espanhóis, que priorizam Barcelona e Real Madrid.

Para o ano que vem, haverá mudanças. Grandes mudanças. A começar pelo fato de que alguns clubes – Palmeiras, Santos, Internacional, Bahia e Atlético Paranaense – não assinaram com a Globo a transmissão por canais fechados (eles assinaram com a Turner). Outra mudança importante – as cotas serão pagas em valores maiores a partir de maio, com um montante substancial no fim do ano, de acordo com a classificação do Campeonato Brasileiro de 2019. Quem antecipou verbas, vai ficar em posição ainda mais delicada.

Cada um dos 20 clubes da Série A vai receber da Globo R$ 22 milhões – é a cota igualitária a ser dividida, sendo 75% pagos entre janeiro e junho e o restante, de julho a dezembro. Outros R$ 330 milhões serão divididos de acordo com a audiência, ou conforme o número de jogos a serem exibidos na TV, entre maio e dezembro. E o mesmo valor será pago em dezembro, como prêmio pela classificação no Brasileirão. Ganha mais quem tem mais audiência mas, também, quem tem melhor desempenho na temporada.

Além disso, há um outro valor de cerca de R$ 650 milhões a serem rateados entre os clubes correspondente ao pay-per-view. Nesse caso, Flamengo e Corinthians, com contrato com a Globo em sinais aberto e fechado, têm um fixo garantido de 18,5% do total, além de uma parcela por torcedor cadastrado, agora não só nas capitais, como em todas as cidades. Um estudo da EY em parceria com a Grafietti, Cesar Finance & Mgmt Consulting aponta que o Flamengo, por exemplo, caso seja o campeão, terá direito a quase R$ 330 milhões; o Corinthians, que já antecipou algumas cotas de TV, R$ 270 milhões. Ou seja, ganha mais quem tem mais jogos transmitidos e quem tem mais torcedores / assinantes de PPV.

2019 será um ano de ajuste para os clubes e quem souber administrar, em especial o início do ano, vai sobreviver. Será uma lição, também, para os que anteciparam cotas e terão o cinto ainda mais apertado. Quem passar, poderá ter um 2020 melhor. Desde que, como vimos, consiga uma boa colocação nas competições.

 

Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.

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