A violência das “torcidas”

As brigas entre torcedores rivais acontecem na derrota e na vitória. E elas não representam o futebol

Sergio du Bocage - 14/12/2017 18h19

Em 2005, o São Paulo conquistou o terceiro título da Copa Libertadores. E a comemoração da torcida terminou em quebra-quebra e confronto com a Polícia Militar. Um torcedor morreu.

De 2012 a 2015, o Fortaleza perdeu a chance de subir para a Série B do Brasileirão; e a torcida, nos quatro anos, depredou o estádio em que estava, no dia da eliminação.

Em 2009, o Coritiba foi rebaixado para a Série B, e após o empate de 1 a 1 com o Fluminense, seus torcedores depredaram o estádio Couto Pereira.

Este ano, em São Januário, após derrota para o Flamengo, o Vasco viu seu estádio ser arrasado por sua própria torcida, que ainda foi para as ruas do entorno num confronto com a PM.

Esta semana, a torcida do Flamengo quebrou trens, brigou, destruiu bens públicos, invadiu o Maracanã, em mais um ato de vandalismo registrado no nosso futebol.

Como se vê, as manifestações violentas acontecem na derrota e na vitória. Em confrontos regionais, ou em qualquer outro. Antes e depois dos jogos.

Não é futebol. E também não é novidade. Em cada situação, um motivo foi levantado. Alguns poucos culpados foram escolhidos. Nenhuma solução definitiva foi dada.

2018 vem aí. Você tem alguma dúvida de que em algum lugar isso vai se repetir?

Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.