A rainha do futebol

Seis vezes eleita a melhor do mundo, Marta não para de vencer desafios. A rainha do futebol merece ser comparada a Pelé?

Sergio du Bocage - 26/09/2018 11h27

O esporte, e mais especificamente o futebol, adora uma comparação. É comum o torcedor, o fã e a mídia traçarem paralelos e buscarem números para saber quem é ou foi melhor. Pelé ou Maradona? Messi ou Cristiano Ronaldo? Senna ou Schumacher? Pete Sampras ou Roger Federer? Serena Williams ou Steffi Graf? Cada um usa um argumento, os números pendem para os dois lados e nunca se chega a uma conclusão.

No democrático Brasil, não faltam reis. E aí estão Pelé e o cantor Roberto Carlos, como os mais conhecidos. Mas volta e meia surge um novo, em alguma atividade ou área da economia. Mas rainhas… essas são mais difíceis de serem identificadas e reconhecidas.

Como também é difícil, para muitos, aceitar que a jogadora Marta merece, sim, ser comparada a Pelé. Os contrários alegam que, apesar de ambos jogarem futebol, a modalidade ser outra. Mas aceitam dizer que Roger Federer, que joga tênis, é o Pelé das quadras. Por que isso pode? Porque ele é homem!?

Marta foi eleita a melhor do mundo, no futebol, pela sexta vez Foto: EFE/NEIL HALL

Não podemos comparar a quantidade de gols feitos por Pelé ou Marta – temos de reconhecer que os adversários dele foram bem mais significativos e difíceis. Mas não podemos negar a qualidade dela, extremamente superior às demais do mundo inteiro. Marta, simplesmente, ganhou seis – SEIS – vezes o prêmio de melhor jogadora do mundo, superando Messi e Cristiano Ronaldo, cada um com cinco.

Marta é, sim, o Pelé do futebol feminino. Ela é sinônimo de Brasil lá fora. E venceu numa modalidade onde as dificuldades foram muito maiores. Em que não havia campo pra jogar, adversárias pra enfrentar, em que foi preciso ir para o exterior para ter o devido reconhecimento. Venceu o preconceito, ou se devemos ser justos, vence ainda hoje, num obstáculo que ainda vai demorar a cair por aqui.

Ela merece todos os parabéns e reconhecimentos. Uma pena que, apesar dela, o futebol feminino não cresça no Brasil.

Sergio du Bocage é carioca e jornalista esportivo desde 1982. Trabalhou no Jornal dos Sports, na TV Manchete e na Rádio Globo. É gerente de programas esportivos da TV Brasil e apresenta o programa “No Mundo da Bola”.

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