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Mulheres livres não pedem favores ao Estado

Ainda hoje, a laqueadura é usada como moeda de troca por políticos e o voto de mulheres de baixa renda

Sara Ganime - 11/07/2025 10h51

Saúde feminina (Imagem ilustrativa) Foto: Freepik

Em 2022, acompanhando a campanha do meu marido ao governo do Rio de Janeiro, conheci uma realidade que me marcou profundamente. Em várias agendas, mulheres me pediam ajuda para “fazer a ligadura”, como chamavam a laqueadura. Muitas vezes, eram bem jovens e já tinham muitos filhos. Queriam apenas decidir sobre o próprio corpo, mas esbarravam num sistema público lento, politizado e, muitas vezes, controlado por interesses eleitorais.

Sim, ainda hoje, essa cirurgia é usada como moeda de troca. “Se votar certo, eu consigo pra você”. É assim que muitos se perpetuam no poder: mantendo mulheres dependentes, com pouco acesso à informação e sempre à espera de um favor.

Essa vivência me despertou para algo maior: a liberdade feminina não pode ser tratada como concessão estatal. Foi com esse incômodo que idealizei, dentro do núcleo carioca do LOLA Brasil, o projeto Liberdade para Todas. Esse foi um grupo de mulheres que se reuniu para construir uma palestra prática sobre liberdade individual, liberdade financeira e os fundamentos do liberalismo. Essas mulheres não só entenderam os conceitos, como traduziram tudo para a vida real.

Liberdade, para elas, era poder dizer “não” sem medo, sair de um relacionamento abusivo, abastecer o carro com o próprio dinheiro e até mesmo educar os filhos sem depender de político nenhum.Essas mulheres já vivem a liberdade, só faltava chamar pelo nome.

O Rio tem um dos maiores índices de lares chefiados por mulheres em situação de vulnerabilidade. A maioria das titulares do Bolsa Família no estado são mulheres. Mas isso não significa que elas querem depender. Significa que o sistema as empurrou para a dependência.

Ao final do grupo, as participantes não só escreveram sua palestra, como já têm local para a primeira apresentação: mães atendidas pelo Instituto Reescrever, em comunidades do Rio.
Esse é o papel da liberdade: não esperar que alguém nos salve, mas caminhar com os próprios pés. Quando isso acontece, o Estado perde força e a mulher ganha o mundo.

Sara Ganime é jornalista e defensora da liberdade de imprensa e de expressão. É líder do LOLA Rio de Janeiro e fellow do María Oropeza Activism Fellowship. Com passagens pela cobertura política no Congresso Nacional, acompanha de perto os movimentos liberais na América Latina.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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