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Opinião Russell Shedd: O significado bíblico da adoração

Muitas práticas externas nos cultos não fazem parte essencial da adoração bíblica. Agradam mais ao auditório ou aos dirigentes do que a Deus

Russell Shedd - 25/03/2018 08h00

Do começo ao fim, a Bíblia se apresenta apelando aos homens a adorar o Deus único, criador dos céus e da terra. O cerne da adoração se resume no conhecimento e na comunhão com Deus, porém, o rompimento com o criador no Jardim do Éden pelo pecado de rebeldia tornou a realidade de ouvir e falar com Deus mais distante. A natureza caída dos seres humanos torna a adoração algo irreal, vago e, para muitos, irrelevante.

A descrição bíblica do homem como inimigo de Deus, precisando de reconciliação e perdão, destaca o desastre da queda. A promessa de Satanás de que Adão e Eva seriam como Deus se cumpriu no desejo mais profundo do coração humano: buscar a própria glória, almejar ser honrado, exaltado e até adorado. A raiz mais profunda e dominante do pecado, portanto, se concentra no orgulho e na soberba. Vemos isso na descrição que Paulo apresenta da sua incapacidade de cumprir a lei de Deus. “Sabemos que a Lei é espiritual: eu, contudo, não o sou, pois fui vendido como escravo ao pecado. Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio… Não sou mais eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim” (Romanos 7:14-17).

Passos bíblicos essenciais à adoração
Primeiro, precisamos nos aproximar de Deus, o que é impossível com o pecado reinando no coração. Jesus garantiu que Nicodemos não teria chance de ver o Reino, muito menos o Rei, se não nascesse da água e do Espírito. A água representa o arrependimento e o Espírito o nosso Paracleitos (advogado) para nos apresentar diante de Deus.

A mulher samaritana também foi informada de que adoração não requer tempo nem local especial. O que Deus procura é a verdadeira adoração em Espírito e em verdade. A verdade inclui uma visão correta sobre Deus: infinitamente santo e impossibilitado de aceitar ou ser cúmplice do pecado. Inclui, igualmente, uma visão correta de nós mesmos e de como podemos nos “limpar” para poder entrar na gloriosa presença de Deus.

Jesus falou para Pedro, no Cenáculo, na mesma noite em que foi traído: “Se eu não o lavar, você não terá parte comigo” (João 13:8). O simbolismo da lavagem dos pés não nos permite pensar de outra forma senão na necessidade de perdão para adorarmos em verdade. João escreve para seus filhinhos na fé acerca da importância do reconhecimento e confissão do pecado. Admitindo nossa maldade e crendo no sacrifício purificador da morte de Jesus por nós, podemos contar com a fidelidade do Senhor para perdoar os nossos pecados e nos purificar de todo pecado (I João 4:9).

Exatamente como na adoração no Tabernáculo e no Templo, onde o adorador não tinha acesso à “habitação de Deus” sem primeiro passar pelo altar do sacrifício – ali um animal inocente tomava sobre si o pecado do homem culpado – nós também, somente após a devida purificação, somos como adoradores, autorizados a entrar no Santo Lugar. Davi perguntou sobre quem poderia subir o nome do Senhor. Sua resposta foi: “Aquele que tem mãos limpas e o coração puro, que não recorre aos ídolos…” (Salmo 24: 3,4).

Segundo, é necessário exercer a fé, sem a qual é impossível agradar a Deus. Precisamos invocá-lo e crer que Ele nos ouve, que Ele fala conosco através da Sua palavra. Adorar é também orar e pedir sua intervenção gloriosa em nossas vidas, famílias, nações e no mundo todo. Não devemos esquecer de clamar pelos perdidos e por missões.

Terceiro, precisamos declarar suas grandezas e as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz. Elas devem ser anunciadas, principalmente o seu amor e a sua salvação entre as nações. A Bíblia manda que façamos todos saberem que o seu nome é exaltado.

Quarto, devemos cantar seus louvores, reconhecendo com júbilo e alegria que Ele é nosso Deus.

Quinto, a obediência faz parte da adoração bíblica: “A obediência é melhor do que sacrifício”, Samuel lembra a Saul. Sendo Ele Senhor nosso, ao comer, beber ou fazer qualquer outra coisa, temos a responsabilidade de fazer tudo para sua glória. Repartir com os necessitados faz, igualmente, parte integral da adoração.

Muitas práticas externas nos cultos não fazem parte essencial da adoração bíblica. Agradam mais ao auditório ou aos dirigentes do que a Deus. Pastores e líderes das comunidades têm a importante responsabilidade de fazer tudo o que puderem para incluir o que é essencial à adoração e excluir o que distrai desse propósito.

Russell Shedd Era conferencista internacional, bacharel em Teologia com especialização em Bíblia e Grego, Mestre em Novo Testamento e PhD em Filosofia. Nascido na Bolívia, filho de pais missionários, veio para o Brasil em 1962. Escreveu mais de 30 livros, publicados pela Shedd Publicações e pela Edições Vida Nova, fundadas por ele. Faleceu em 2016, aos 87 anos, vítima de câncer. Neste espaço, recebe homenagem do Pleno.News, que publica textos daquele que foi conhecido como o maior teólogo do Brasil.