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Deus presente na derrota

Mesmo em nosso momento de derrota Deus está jogando conosco, em nosso time

Ricardo Pinudo - 07/12/2017 09h15

Na Bíblia, no livro de I Reis capítulo 18 é relatado um grande jogo que o profeta de Deus, Elias, teve contra a equipe dos profetas de Baal. Em tal confronto, Elias convoca os profetas de Baal para um combate a fim de provar a supremacia do Deus Vivo. De acordo com o regulamento da competição, o Deus que mandasse descer fogo do céu seria aclamado como o Verdadeiro.

Como sabemos, Elias derrotou os profetas de Baal; mas, segundo estudiosos da área profissional e humana, há várias características no profeta que os levam a crer que ele entrou em depressão após esse embate.

I Reis 19:3-7 narra o comportamento do profeta após o embate. “O que vendo ele, se levantou e, para escapar com vida, se foi, e chegando a Berseba, que é de Judá, deixou ali o seu servo. Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais. E deitou-se, e dormiu debaixo do zimbro; e eis que então um anjo o tocou, e lhe disse: Levanta-te, come. E olhou, e eis que à sua cabeceira estava um pão cozido sobre as brasas, e uma botija de água; e comeu, e bebeu, e tornou a deitar-se. E o anjo do Senhor tornou segunda vez, e o tocou, e disse: Levanta-te e come, porque te será muito longo o caminho”.

No texto é mostrado como Elias pipocou na jogada, além de ressaltar a angústia que sentiu. Por isso, estava na derrota do deserto, assentado debaixo de um zimbro, desejando morte para si. É nesse momento que aparece a primeira característica depressiva apresentada por ele: o sono (presente nos versículos 5 e 7). Elias estava em um processo de depressão, de naufrágio mental diante de tudo o que havia passado, pois a rainha Jezabel mandou matar todos os profetas de Deus e ele fugiu.

No versículo 8, o profeta, obedecendo às ordens dadas por um anjo, sai de Berseba e, após andar 40 dias e 40 noites, chega ao monte Horebe, o monte de Deus, também conhecido como Monte Sinai. Ali Deus havia dado as tábuas da Lei para Moisés. Na verdade, Elias andou trezentos e vinte quilômetros; a mesma distância entre Rio de Janeiro e São Paulo; mas, na verdade, era necessário sua chegada ao Monte Sinai por ele ser um simbolismo de encontro.

Em I Reis 19:9 lemos: “E ali entrou numa caverna e passou ali a noite; e eis que a palavra do Senhor veio a ele, e lhe disse: Que fazes aqui Elias?” (grifo nosso).

A pergunta que Deus faz a Elias é reveladora, pois ele usa o advérbio aqui e não aí, tal uso nos revela que Deus estava com Elias dentro da caverna. Deus pode e é transcendente, mas nesta passagem Ele está imanente (está com, está conosco). Ou seja, Ele está conosco na caverna, na depressão, nas dificuldades. Deus não quer que entremos na caverna, mas, se por circunstâncias externas, nós entrarmos lá, Ele não nos abandona.

O relato em I Reis 19 nos deixa claro que, em nenhum momento Deus enviou um anjo para retirar Elias da derrota da caverna. Mas sim para prover todas as suas necessidades físicas. Na passagem, um anjo — um ser sobrenatural, imaterial — acorda, faz fogueira, pega botija de água e cozinha pão para Elias.

Esse anjo era Deus, ele era a representação de Deus que preparava a ida do profeta para a caverna.

Precisamos entender que ninguém sai da caverna. A saída só é permitida quando Deus nos tira dela, por isso, Ele mesmo na derrota estará sempre jogando conosco no mesmo time.

Ricardo Pinudo foi jogador de Futebol em vários clubes do Rio. É formado como Treinador de Futebol pela Escola de Educação Física do Exército (Urca, RJ) e em Teologia pelo Seminário Betel. É fundador e coordenador do projeto Craques da Paz.