Coluna Ricardo Guimarães: Na Graça tudo é muito mais – Última parte

Se as gerações passadas foram muito abençoadas, produziram frutos, conquistaram cidades, sustentaram o testemunho de Deus na terra, muito mais a nossa geração

Ricardo Guimarães - 09/01/2018 09h00

Prezado leitor do Pleno.News, nas últimas semanas estivemos conversando um pouco sobre Na Graça tudo é muito mais e quero hoje finalizar este assunto fabuloso com você.

De acordo com a Teologia, o propósito de Deus na história da humanidade é dividido em sete dispensações: Inocência, Consciência, Governo Humano, Promessa, Lei, Graça e Reino. Mas, de Gênesis a Malaquias, há cinco manifestações, a saber:

1. A dispensação da Inocência: Adão e Eva no Éden.
Nesse período, Deus vinha diretamente para ter comunhão com o homem, mas mesmo assim o homem se rebelou contra Deus. Nessa dispensação, os mandamentos de Deus eram: (1) povoar a terra, (2) dominar a terra, (3) ter domínio sobre os animais, (4) cuidar do jardim e (5) abster-se de comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus advertiu contra o castigo da morte física e espiritual pela desobediência. Essa dispensação foi curta (Gênesis 1:28-2:17). Ela foi levada ao fim pela desobediência de Adão e Eva ao comer o fruto proibido e sua expulsão do jardim.

O alvo para o homem era comer da árvore da vida, mas ele comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

2. A dispensação da Consciência: A segunda é chamada de dispensação da Consciência, e durou cerca de 1.656 anos, a partir do momento da expulsão de Adão e Eva do jardim até o dilúvio (Gênesis 3:8-8:22).
Essa dispensação demonstra o que a humanidade fará se abandonada à sua própria vontade e consciência, as quais foram contaminadas pela natureza do pecado herdado. Os cinco principais aspectos desta dispensação são: 1) uma maldição sobre a serpente, 2) uma mudança na condição da mulher e gravidez, 3) uma maldição sobre a natureza, 4) a imposição de trabalho sobre a humanidade para produzir alimentos, e 5) a promessa de Cristo como a semente que ferirá a cabeça da serpente (Satanás).

O alvo para o homem era fazer as escolhas certas. Mas o homem falhou e a maldade se multiplicou na terra, sendo interrompida pelo dilúvio.

3. A dispensação do Governo Humano: Durou de Noé até a torre de Babel.
A terceira é a dispensação do Governo Humano, a qual começou em Gênesis 8. Deus tinha destruído a vida na terra com um dilúvio, salvando apenas uma família para reiniciar a raça humana. Os descendentes de Noé não se espalharam e encheram a terra como Deus havia ordenado, assim falhando em sua responsabilidade nessa dispensação. Cerca de 325 anos depois do dilúvio, os habitantes da terra começaram a construir uma torre, um grande monumento à sua solidariedade e ao orgulho (Gênesis 11:7-9). Deus deu um fim à construção, criando diferentes idiomas e reforçando o seu comando de encher a terra. O resultado foi o surgimento de diferentes nações e culturas. A partir desse ponto, os governos humanos têm sido uma realidade.

O alvo para o homem era se sujeitar ao governo de Deus. Mas o homem falhou e edificou o seu próprio governo.

4. A dispensação da Promessa: Do chamado de Abraão até o êxodo do Egito.
Durante essa dispensação, Deus desenvolveu uma grande nação que Ele havia escolhido como o seu povo (Gênesis 12:1-Êxodo 19:25). A promessa básica durante a dispensação da Promessa foi a Aliança Abraâmica.

O alvo de Deus era, a partir de Abraão, gerar uma grande nação de filhos para Ele mesmo. O alvo para o homem era tão somente descansar e colocar sua fé no que o Senhor prometera.

5. A dispensação da Lei: De Moisés, no Sinai, até Cristo.
Essa dispensação durou quase 1.500 anos, do Êxodo até ser suspensa após a morte de Jesus Cristo. Durante a dispensação da Lei, Deus lidou especificamente com a nação judaica através da Aliança Mosaica, ou a Lei, encontrada em Êxodo 19-23. Devido à desobediência do povo à aliança, as tribos de Israel perderam a Terra Prometida e foram submetidas à escravidão.

O alvo para o homem era cumprir toda a lei conforme o Senhor estabelecera. Mas isso se tornou impossível visto que homem algum conseguiu cumprir a lei.

Mas, após a morte de Cristo, a dispensação foi mudada. Saímos da dispensação da Lei e entramos na dispensação da Graça! E isso mudou tudo para nós!

Na velha aliança você fazia primeiro e permitia que Deus fizesse depois, por isso não tínhamos ousadia para pedir grandes coisas. Mas, na nova aliança, Jesus fez primeiro e nos capacita a fazer depois.

Depois da cruz, a ordem mudou. Depois da cruz, não é você primeiro. Depois da cruz, é Jesus primeiro, capacitando você depois para fazer o que Ele fez. Isso nos torna muito mais ousados para pedir qualquer coisa a Deus. Aquela timidez que o povo tinha na velha aliança já passou, o relacionamento baseado no medo e nos méritos ficou para trás. Hoje vivemos o tempo de muito mais em Deus.

A expressão Muito Mais é usada diversas vezes no Novo Testamento, porque foi essa a revelação que os apóstolos receberam. À luz da nova aliança, tudo é Muito Mais do que na antiga aliança. Dessa forma, se as gerações passadas foram muito abençoadas, produziram frutos, conquistaram cidades, sustentaram o testemunho de Deus na terra, Muito Mais a nossa geração.

Você precisa saber que nós não operamos mais debaixo da velha aliança. O tempo mudou! Nós estamos na era da graça. E na era da graça tudo é Muito Mais!

Ricardo Guimarães é fundador e pastor presidente da Igreja Videira no Rio de Janeiro. É formado em Teologia com especialização em Homilética e Clínica Pastoral e também possui doutorado pela Faculdade de Teologia Filadélfia – Recife. Na década de 90 levantou a bandeira do movimento nacional pela pureza sexual do jovem e do adolescente, conhecido como “Quem ama Espera”.