Reforma Protestante: Será que precisamos de uma?

A Igreja evangélica brasileira advoga a causa de que estamos vivendo momentos de um genuíno avivamento. Que avivamento é esse, que não produz frutos de arrependimento?

Renato Vargens - 05/11/2018 10h18

O romanismo possui similaridades interessantíssimas com o neopentecostalismo brasileiro, até porque, ambos fundamentam suas doutrinas e comportamentos em três pilares, as Escrituras Sagradas, a tradição e autoridade apostólica papal.

Na verdade, tanto católicos como neopentecostais não consideram na prática (ainda que neopentecostais afirmem o contrário) a Bíblia como única e exclusiva regra de fé. Isto porque, para ambos os movimentos, a tradição bem como a experiência adquirida com o sagrado possuem um enorme peso na consolidação de suas doutrinas. Junta-se a isso, o fato de que as duas correntes têm em suas estruturas eclesiásticas lideres papais, cuja autoridade apostólica é inquestionável. Além disso, ambos mercantilizam a fé, comercializando as benesses divinas, oferecendo aos fiéis objetos sagrados que possuem em si poder suficiente para operar milagres. Quanto à práxis litúrgica o neopentecostalismo nos faz por um momento pensar que regressamos aos tenebrosos dias da Idade Média onde, como no século 16, a manipulação religiosa se faz presente mediante os pseudoapóstolos que em nome de Deus estabelecem doutrinas que se contrapõem a Palavra revelada do Senhor.

Tanto o romanismo como o neopentecostalismo brasileiro entendem que as bênçãos de Deus não são frutos de sua maravilhosa graça, mas sim, consequência diretas de uma relação baseada na troca ou no toma lá dá cá. Neste contexto, tudo é feito em nome de Deus e para se conseguir a bênção é absolutamente necessário pagar e pagar alto!

Por favor, responda sinceramente: Qual a diferença da oferta extorquida do povo sofrido nos dias atuais para a venda das indulgências da Idade Média? Qual a diferença dos utensílios vendidos no século 16, para os que são comercializados em nossos templos nos dias de hoje?

O que me chama atenção, é que a Igreja evangélica brasileira diante de tanta sandice ainda advoga a causa de que estamos vivendo momentos de um genuíno avivamento. Outra vez lhe pergunto: Será? Que avivamento é esse, que não produz frutos de arrependimento? Que avivamento é esse que não muda o comportamento do crente? Que avivamento é esse que não converte o coração do marido à esposa e vice-versa? Que avivamento é esse que dicotomiza a relação entre pais e filhos? Que avivamento é esse que relativiza a ética?

Amados, acredito piamente que os conceitos pregados pelos reformadores precisam ser resgatados e proclamados a quantos pudermos. Sem sombra de dúvida necessitamos desesperadamente de uma nova reforma, por que caso contrário a vaca vai para o brejo.

Soli Deo Gloria,

Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 24 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes.

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