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Por acaso é pecado ir à igreja de bermuda ou boné?

Imagine Deus contemplando a adoração de um escocês de saia

Renato Vargens - 17/02/2020 10h04

Volta e meia eu vejo pessoas preocupadas porque em algumas igrejas tornou-se comum encontrarmos irmãos em Cristo frequentando os cultos de bermuda ou boné. Para estes, os que usam tais vestimentos pecam contra o Senhor pelo fato de que este tipo de roupa não inspira santidade. Na verdade, ouso afirmar que devido a uma influência americana extremamente legalista, a chamada “roupa de ver Deus” precisa ser extremamente formal.

Ora, roupa é uma questão cultural. Eu particularmente tenho pregado o Evangelho em inúmeros países e posso afirmar que os costumes são diferentes. O fato de uma pessoa não se vestir como nos vestimos no Brasil, não significa dizer que ela esteja em pecado.

Imagine Deus contemplando a adoração de um escocês de saia, ou um culto indígena onde os protagonistas não estão cobertos como deveriam, ou mesmo em alguns países orientais onde os costumes relacionados às vestes são bem diferentes dos nossos? Ou uma igreja americana onde o crente cultua ao Senhor de bermuda e boné.

Pois bem, a pergunta é: Quem está certo? O escocês? O indígena? Os orientais? Os ocidentais que usam bermuda e boné? Ou aqueles que usam terno em seus cultos?

Caro amigo, entenda de uma vez por todas que roupa não define adoração e muito menos santidade. As Escrituras por exemplo nos ensinam que o Senhor não vê as aparências e sim o coração do homem. (I Samuel 16:07) Agora, isso não quer dizer que apesar da liberdade devemos ser licenciosos quanto ao vestir não é verdade? By the way, vale a pena ressaltar que não estou advogando que a moça deva ir ao culto de biquini ou mesmo usando roupas que marquem o corpo, ou que o rapaz deva ir sem camisa ou mesmo com roupas de banho.

Bom senso nesse caso é fundamental não é mesmo? Portanto, à luz desta premissa entendo que a igreja não deve transformar sua percepção de usos e costumes em modelos de santidade e moralidade, até porque isso não coaduna com o ensino das Escrituras. Aliás, quantos não são aqueles por exemplo que se “encapotam” até o topete e possuem uma vida promíscua? Quantos não aqueles que vivem uma vida de extrema “escravidão” por sentir-se reféns das roupas que vestem?

Outro dia soube de um caso de um indivíduo que tomava banho de roupa porque tinha medo de perder a salvação. Soube de um casal que tinha relações sexuais vestidos porque caso Jesus voltasse e eles estivessem nus, ficariam para trás.

Infelizmente a percepção da igreja é moralista e legalista o que contribui para uma visão dualista da vida cristã. Sinceramente, o problema não está na bermuda ou no boné, o problema está no coração.

Pense nisso!

Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 24 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes.

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