Pode o pastor cobrar para pregar?

Sem sombra de dúvidas o pastor não deve cobrar para pregar, mas em contrapartida, a igreja deve tratar seus convidados com decência e dignidade

Renato Vargens - 03/04/2019 10h06

A pregação do Evangelho tornou-se um grande business, onde o mais importante é fechar bons negócios Foto: Pixabay

Lamentavelmente se tornou comum os pastores cobrarem para pregar o Evangelho da Salvação Eterna. Infelizmente sei de casos de pastores cobrando até R$ 15 mil para “ministrar” numa conferência. Além disso, muitos destes exigem hotel 5 estrelas, cardápio variado, carro do ano à disposição e segurança full time.

Pois é, definitivamente a pregação do Evangelho tornou-se um grande business, onde o mais importante é fechar bons negócios.

Caro leitor, eu sou absolutamente contra aqueles que cobram para pregar. Jesus nunca cobrou para anunciar a salvação, como também nenhum dos apóstolos estabeleceram cachê para anunciar Cristo. Paulo, apesar de ter experimentado em seu ministério necessidades que envolvem a obra missionária, nunca exigiu que a igreja lhe enviasse ofertas, antes, recebia de bom grado e com ações de graças aquilo que lhe era enviado. A verdade é que nenhum dos apóstolos do Senhor jamais estipulou uma quantia para pregar a Palavra de Deus em alguma cidade.

Agora, em contrapartida, existem igrejas que tratam o obreiro com enorme descaso. Há pouco soube de um fato escabroso. Uma proeminente comunidade cristã convidou um pastor para pregar em uma conferência. O pastor convidado era de um estado diferente do local da pregação, o que exigiu que a viagem acontecesse em seu próprio carro. Durante três dias o pastor pregou intermitentemente o Evangelho. Ao final do congresso, os seus anfitriões lhe estenderam a mão agradecendo por sua vinda, sem contudo lhe dar uma oferta sequer. Isso sem dizer que os hospedeiros tiveram a cara de pau de não pagar as despesas relacionadas à viagem de seu convidado.

Um amigo meu, líder de uma grande missão brasileira, relata que não são poucas as vezes que recebe de oferta R$ 50,00. Ele conta que, volta e meia, viaja horas de carro, ônibus ou avião, se ausentando da igreja na qual é pastor, deixando em casa mulher e filhos e que, ao final da conferência, recebe no máximo 100 pratas de oferta.

Prezado amigo, vamos combinar uma coisa? Sou absolutamente contra quem cobra para pregar o Evangelho, entretanto, não concordo com aqueles que agem com descaso, não horando com dignidade os seus convidados. Há pouco, soube de um relato de um pastor que foi convidado para ser preletor de uma grande conferência e acreditem: a igreja que o convidou queria cobrar dele a inscrição no congresso! Veja bem, ele seria o preletor e ainda assim queriam que ele pagasse a inscrição, isso porque ele iria comer no local. Ora, isso é um deboche!

Pois é. Bom senso nessas horas é fundamental. Sem sombra de dúvidas o pastor não deve cobrar para pregar, mas em contrapartida, a igreja deve tratar seus convidados com decência e dignidade. Tirar o pastor de sua igreja e família e lhe dar “esmolas” ao final do culto afronta os ensinos bíblicos.

Diante disto, minha sugestão é que a igreja pense duas vezes em convidar alguém para pregar. Se ela não tem condições de arcar com as despesas relacionadas à hospedagem, transporte e oferta, é melhor não convidar. Se não possui condições de cobrir as despesas mínimas, não convide ninguém, se organize, se capitalize e, no tempo certo, convide alguém para pregar.

Pense nisso!

Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 24 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes.

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