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Pode a ceia do Senhor ser servida a incrédulos?

Eu já vi pastores convidando não cristãos para comerem do pão e beberem do cálice

Renato Vargens - 08/06/2020 10h08

Tenho visto nas redes sociais vários pastores banalizando a ceia do Senhor. Tornou-se comum ver no Facebook, Twitter e Instagram convites abertos para as pessoas participarem desse momento solene. Eu, por exemplo, já vi alguns pastores convidando não cristãos para comerem do pão e beberem do cálice. Já vi pastores, dando os elementos da ceia a bêbados, como também àqueles que não foram regenerados pelo Espírito de Deus.

Ora, a ceia é um meio de graça, um sacramento instituído pelo Senhor, e quando participamos dela nos alimentamos do Cristo, celebramos seu nome, olhando para o seu sacrifício na cruz, como também para o dia de sua bendita volta. Portanto, os pastores que tratam com desdém desse momento, pecam contra o Senhor relativizando o que segundo as Escrituras jamais poderia ser relativizado.

Mas, talvez você esteja a perguntar: Tudo bem pastor, mas qual a base bíblica para não servir a ceia do Senhor a não cristãos?

Pois bem, ainda que não vejamos um versículo especifico dizendo se devemos ou não servir a ceia do Senhor a incrédulos, é mister que entendamos que as Escrituras nos trazem princípios como um todo que precisam ser observados.

Por exemplo, a Bíblia não fala sobre namoro, todavia ela nos traz princípios e pressupostos que nos fazem elaborar uma doutrina sobre o relacionamento entre namorados. Da mesma forma em relação a ceia. A Palavra de Deus nos trazem relatos e afirmações que nos fazem entender que do ponto de vista das Escrituras é um grave erro servir a ceia não cristãos. Ademais, é indispensável que interpretemos Escrituras à luz das Escrituras e não segundo a visão do nosso tempo.

Por favor, pare e pense: a ordem do Senhor antes de ser assunto aos céus foi que o seus seguidores deveriam fazer discípulos batizando todos os que nele cresse, ensinando-os a guardar tudo aquilo que ele tinha ordenado. (Mateus 28:19-20). Portanto, à luz dessa ordem somos levados a entender que acreditar em Cristo é uma condição “sine qua non” ao discipulado. Ora, veja comigo, o raciocínio é lógico: Se uma pessoa em primeiro lugar precisa crer em Cristo para ser batizada, o que nos leva a entender que ela pode participar da mesa do Senhor, sem antes ter se tornado discípulo de Cristo?

Esse pensamento está em conformidade com a narrativa de Atos 2:38, senão vejamos:

“Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.”

Observe que Pedro em sua exposição afirmou àqueles que o ouviram que eles precisavam se arrepender dos seus pecados, crer em Cristo e aí sim serem batizados.

As Escrituras nos mostram que após a sua Palavra, os que foram regenerados pelo Espírito de Deus e calvos por Cristo foram batizados.

“Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas.”

Agora, perceba que Lucas nesse momento não traz o relato de que eles participaram naquele instante da ceia do Senhor, mesmo porque, os que creram, precisavam antes da ceia passar pelo batismo, o que nos levam ao entendimento que na ordem das ordenanças estabelecidas pelo Senhor o batismo deve vir primeiro.

Vale a pena ressaltar que somente depois de terem passado pelo batismo é que os novos convertidos, passaram pela experiência da ceia do Senhor. “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (Atos 2:42).

E quanto a Judas? Ele era um incrédulo, porque então ele participou da ceia do Senhor, perguntarão outros.

Bem, a estes respondo: O texto bíblico que trata deste episódio nos mostra Jesus dando a Judas um pão molhado comumente servido na páscoa dos Judeus. Alias, é importante que todos entendamos que a páscoa judaica não é a ceia do senhor. Judas participou da páscoa e não da instituição da ceia. Portanto, à luz dessa premissa alguns entendem que Judas não estava presente no momento em que a ceia foi instituída, mas sim no momento da celebração da páscoa dos judeus. Todavia, apesar de não haver unanimidade dessa premissa, Judas fora um dos discípulos de Cristo, o que legitimava a sua participação na ceia, o que difere em muito daqueles que não seguem a Cristo.

Concluo esse texto trazendo à memória um episódio ocorrido ao notável Jonathan Edwards que após 23 anos de pastorado foi despedido de sua igreja por insistir que somente pessoas regeneradas poderiam participar da ceia do Senhor. Para esse grande homem de Deus, a ceia não podia ser servida a não convertidos, o que concordo plenamente com ele.

Solo Deo Glória!

Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 24 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes.
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