Leia também:
X Educação financeira: Será que é realmente importante?

Como o cristão deve lidar com o lockdown?

O país vivencia um verdadeiro caos político, social e econômico

Renato Vargens - 03/03/2021 11h32

Estados Unidos pode ter até 890 mil mortos em razão de lockdowns Foto: EFE/EPA/Jim Lo Scalzo

Um ano se passou desde que o mundo foi sacudido pelo coronavírus. De lá pra cá, o Brasil tem experimentado uma severa crise. Como se não bastasse os mais de 250 mil mortos pela Covid-19, o país vivencia um verdadeiro caos político, social e econômico.

Lembro que, no início da pandemia, a maioria daqueles que nos governam defendeu com unhas e dentes a necessidade de lockdown. Na época, a justificativa usada pelos políticos era de que havia a necessidade de que a curva fosse achatada. Isso proporcionaria tempo suficiente para que fossem construídos hospitais de campanha onde a população doente poderia ser tratada com qualidade e eficiência. Contudo, parte dos prefeitos e governadores se aproveitou das circunstâncias e desviou recursos públicos, sucateando a já combalida saúde.

Agora, um ano depois, os políticos mais uma vez vêm a público dizendo que a solução para as mortes decorrentes desta maldita doença está em trancar o povo dentre de casa. Nessa perspectiva, multiplica-se a olhos vistos o número de prefeitos que, de modo arbitrário, têm ordenado o fechamento de ruas, comércios, indústrias e até mesmo de igrejas. Um exemplo disso é a cidade de Araraquara, no interior do estado de São Paulo, cujo prefeito determinou um restrito lockdown, de modo que até supermercados e postos de gasolina foram obrigados a fechar.

Como não podia deixar de ser, após seis dias das medidas de restrição, os habitantes da cidade apontaram para o aumento do número de pessoas em situação de pobreza nas ruas. Isto sem falar, é claro, na angústia, na ansiedade e no medo reinante em toda a população.

Diante dos desmandos provenientes de prefeitos e governadores que, em nome de um excêntrico coronelismo, têm imposto suas vontades à população brasileira, muitos têm se perguntado de que maneira um cristão deve posicionar-se diante da ameaça ou mesmo de um lockdown.

Será que igrejas devem obedecer às ordens daqueles que nos governam? Será que os cristãos devem submeter-se aos mandos e desmandos dos governantes?

Visando responder as dúvidas e perguntas de muitos discípulos de Jesus, eu gostaria, de forma prática e à luz das Escrituras, fazer algumas afirmações. Então, vejamos:

1. Como cristãos, entendemos o momento nevrálgico que o mundo passa e sabemos que, em virtude disso, somos chamados a combater a disseminação deste vírus, o que implica responsabilidade pessoal e social.

2. Como cristãos, entendemos que devemos submeter-nos às autoridades constituídas, visto que isso agrada ao Senhor. A Palavra de Deus é clara em afirmar, em Romanos 13:1-7, que, como cristãos, devemos submeter-nos àqueles que nos governam.

3. Como cristãos, entendemos que as Escrituras ensinam que nossa obediência a Deus não é opcional. Na verdade, somos chamados a obedecer ao Senhor em tudo e em todas as coisas. Todavia, ao contrário disto, a nossa submissão às autoridades governamentais, devem ser constantemente avaliadas. Na verdade, o cristão necessita averiguar se as leis aplicadas e defendidas pelos governantes infringem os princípios bíblicos, induzindo assim o servo de Cristo a cometer atos contrários à Palavra de Deus.

O reformador francês João Calvino afirmava que a desobediência civil ou a rebelião somente se justificam quando o Estado quer obrigar as pessoas a desobedeceram a Deus. Segundo as Escrituras, se isso efetivamente acontecer, devemos recusar obedecer às leis contrárias à Palavra do Senhor, permanecendo fiéis Àquele que nos salvou (Atos 4:19-21, 31; Daniel 3:14-23).

Calvino também dizia que, apesar de o Estado ser fruto de uma ordem divina, ele não pode ocupar em hipótese alguma o lugar de Deus. O reformador também afirmava que, apesar de Deus ter ordenado o governo, Ele continua sendo Senhor sobre a sua ordenação, e o governo continua sujeito a Ele.

4. Como cristãos, entendemos que o Estado deve ser um agente de justiça para restringir o mal, punindo o malfeitor, e agente de justiça para proteger os bons na sociedade. Quando ele faz o inverso, não tem autoridade legítima. Ele se torna uma autoridade usurpada e, como tal, torna-se ilegal e tirano.

Diante do exposto, concluo dizendo:

1. Como cristãos, lutemos, juntamente com a sociedade civil e o Estado, pelo bem da população, colaborando com as medidas de combate ao coronavírus.

2. Como cristãos, devemos submeter-nos ao Estado, desde que este não queira obrigar-nos a irmos contra a Palavra de Deus. Ademais, também ressaltamos que não vivemos numa ditatura, e sim num estado democrático em que os cidadãos possuem o direito constitucional de professar sua religião, questionando as decisões daqueles que nos governam.

3. Por fim, como cristãos, devemos ter a sensibilidade e o entendimento de que, se chegar um dia em que o Estado desejar a todo custo proibir-nos de servir a Cristo, ele deverá ser resistido.

Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 26 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É membro dos conselhos do TGC Brasil e IBDR.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

Leia também1 Empresário é algemado e preso ao tentar trabalhar no lockdown
2 Brasil receberá 9,1 milhões de vacinas pela Covax, da OMS
3 Igreja é multada em R$ 373 mil por culto durante lockdown
4 Saque emergencial do FGTS deve ser declarado no IR 2021
5 "Queremos trabalhar": A luta do setor de bares no lockdown de SP

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Grupo
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.