A Teologia da Missão Integral e ausência de preocupação com o destino eterno dos homens

A Teologia da Missão Integral prega o evangelho social, mas não prega o Evangelho

Renato Vargens - 24/09/2018 10h06

O pessoal do evangelho social precisa entender que cuidar dos pobres sem a pregação do Evangelho é mera filantropia. Ademais, a missão prioritária da Igreja é a salvação do perdido através da pregação do Evangelho de Cristo. Fazer ação social sem isso é a mesma coisa que ver um homem caminhando em direção a um precipício e lhe presentear com um prato de comida.

Ora, ao afirmar isso não estou querendo dizer que a Igreja não deva fazer nenhum tipo de ação social, mesmo porque, a história nos mostra homens de Deus agindo e intervindo na vida de inúmeros pobres.

Calvino, por exemplo, ao chegar a Genebra encontrou graves problemas sociais. Havia pobreza extrema, agravada por impostos pesados. Os trabalhadores eram oprimidos por baixos salários e jornadas extensas de trabalho. O analfabetismo era quase que absoluto. O álcool era um problema grave e a prostituição caracterizava uma sociedade escrava da promiscuidade. Além disso, o vício no jogo de cartas, o adultério, a falta de educação e todo tipo de pecado caracterizava a Genebra pré-Calvino.

Contudo, ao chegar em Genebra o reformador francês através da pregação Evangelho produziu aquilo que nada, nem ninguém, poderia produzir, isto é conversão dos genebrinos. Juntamente a isso, Calvino defendeu os pobres e fracos contra os ricos e poderosos, promoveu educação, defendeu que o hospital geral fundado por Farel desse assistência gratuita aos pobres, órfãos e viúvas, criou a primeira escola primária na Europa e pregou contra a exploração financeira.

Já o pregador metodista John Wesley fez muito pelo seu país. Em décadas de ministério, Wesley foi usado poderosamente por Deus levando milhares de pessoas aos pés de Cristo. Esse santo homem, junto a outros como George Whithefield, produziu um grande avivamento na Inglaterra. O poder do Evangelho afetou positivamente toda a sociedade, produzindo a abolição dos escravos, reformas educacionais, reformas no sistema prisional, reformas nas questões trabalhistas e muito mais.

O que falar então do maior pregador inglês do século 19?

Pois bem, Charles Haddon Spurgeon criou uma casa com vistas ao cuidado das viúvas pobres e necessitadas. Organizou um orfanato para meninos e outro para meninas. Abriu um fundo de ajuda aos necessitados da Igreja. Estabeleceu uma associação de benfeitoras, uma sociedade para ajudar moças pobres grávidas, e também abriu diversas obras de cunho assistencial com o fim de ajudar os necessitados de Londres. Contudo, apesar disso, poucos se preocuparam tanto com o destino eterno dos homens como o príncipe dos pregadores. A história nos mostra que milhares de pessoas chegaram a Cristo através da pregação desse grande homem de Deus.

Caro leitor, Calvino, Wesley e Spurgeon fizeram muito pelos pobres e oprimidos, contudo, nenhum deles considerou a ação social mais importante que a pregação do Evangelho. Todos três pregaram Cristo, a necessidade do arrependimento, perdão dos pecados e salvação da ira vindoura.

Diante do exposto fico pensando naqueles que defendem o evangelho social sem contudo se disporem a pregar o Evangelho. Outro dia ouvi uma pessoa relatando que tinha ajudado uma família construindo sua casa, dando-lhe gêneros alimentícios e roupas sem contudo lhes ter anunciado a Cristo. Quando indagada de porquê não o fizera, a pessoa respondeu dizendo: “Precisa?”.

Ora, vamos combinar uma coisa? Que “cristianismo” é esse que não proclama Cristo? Que missão é essa que não se preocupa com o destino eterno dos homens? Que ação é essa que não fala do que nos é mais caro, isto é, Cristo nosso Senhor?

Prezado amigo do Pleno.News, a missão prioritária da IGREJA é pregar o Evangelho. Não podemos esquecer que sem Cristo os homens estão condenados ao inferno e que cabe a Igreja proclamar a bendita notícia que através do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, os homens podem ser salvos.

Isto posto, concluo: Quer ajudar o pobre? O Faça. Quer lutar pelos que sofrem as agruras de uma vida dura? Aleluia! Quer intervir em lixões, prostíbulos, guetos e lugares de extrema miséria? Faça isso para a glória de Deus! Agora, por favor não faça da sua intervenção social uma agenda política e ideológica desprovida da mensagem do evangelho. Pelo contrário, proclame Jesus e sua cruz, até porque, a única mensagem capaz de transformar a vida do pecador e por conseguinte da sociedade é Cristo.

É o que penso, é o que digo!

Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 24 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes.

Clique para receber notícias
WhatsApp
Envie sugestões por WhatsApp
+55 (21) 97150-9158