A “profecia” sobre Brumadinho

Será que foi Deus quem disse isso? Será de fato uma profecia?

Renato Vargens - 31/01/2019 11h56


A internet e as Redes Sociais estão em polvorosa discutindo sobre uma suposta profecia proferida por um pastor. A profecia, segundo alguns, faz alusão à tragédia de Brumadinho, onde devido um crime ambiental, um grande número de pessoas morreu, além de tantas outras terem desaparecido. A pergunta é: Será que foi Deus quem disse isso? Será de fato uma profecia?

Antes de tratarmos especificamente da questão, a primeira coisa que precisamos entender é que o povo brasileiro (o que inclui os evangélicos) é extremamente místico. Na verdade, o sincretismo
religioso é uma das marcas de nossa população. Ademais, possuímos uma alma católica, onde se prefere ouvir vozes extra-bíblicas à própria Palavra de Deus.

Em segundo lugar, é importante ressaltar que a profecia do pastor comete um equivoco. Na verdade, ele fala de um desastre natural, o que na verdade, não aconteceu, mesmo porque todos sabemos que a tragédia de Brumadinho não foi natural, mas sim fruto do descaso do homem.

Em terceiro lugar, a “profecia” proferida, como geralmente acontece em boa parte das igrejas no Brasil, foi genérica. Ela na verdade tratou de uma situação generalizada e não específica,
além de falar que o Brasil sofreria dois choques, o que segundo a palavra do pastor não aconteceu. Ou será que a profecia só se cumpriu numa parte? E o outro choque? Não teve por quê?

Um outro ponto interessante é que, caso acontecesse uma tragédia natural, não seria nenhuma surpresa. Ora, por acaso, devido ao verão, janeiro não costuma ser um mês de grandes chuvas e tempestades? Não poderia ter acontecido, portanto, as famosas chuvas de verão, como aconteceu por exemplo em ocasiões anteriores? Será que, por acaso, já esquecemos das chuvas que
destruíram cidades como Nova Friburgo e Teresópolis?

Em quarto lugar, é mister que entendamos que quando examinamos a Palavra, descobrimos que as profecias proferidas contidas nas Escrituras sempre tiveram endereço e nunca foram dúbias e muito menos relativistas. Por fim é mister que perguntemos: Em que essa profecia contribuiu, por exemplo, com um avivamento nacional? Em nada, não é verdade? Até porque, se a tragédia de Brumadinho trouxe a “entrada de Deus” no Brasil, por que continuamos absorto em pecados e transgressões? Ora, avivamentos trazem mudanças. A pergunta é: Que avivamento é esse, que não produziu frutos de arrependimento? Que avivamento é esse que não mudou o comportamento do crente? Que avivamento é esse que não converteu o coração do marido à esposa e vice-versa? Que avivamento é esse que dicotomizou a relação entre pais e filhos? Que avivamento é esse que não mudou o país?

Para terminar, trago à memória a famosa frase do reformador alemão Martinho Lutero que dizia: “Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer, tanto para esta vida quanto para o que há de vir”

O que diferencia protestantes dos seguidores de outras religiões é que não somos guiados por emoções ou revelações e sim pela maravilhosa e inerrante Palavra de Deus.

Sola Scriptura!

Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 24 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes.

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