A igreja evangélica brasileira e a sua alma católica

Renato Vargens - 14/08/2019 10h42

Diversas práticas e comportamentos de algumas das denominadas igrejas carregam em si inúmeros pressupostos católicos. Se não vejamos:

1. O púlpito como altar
É comum os pastores tratarem o púlpito como lugar sagrado desafiando os crentes a depositarem suas expectativas de oração num lugar especial. Para tanto, transformaram a plataforma de pregação em “altares” onde os fiéis de forma abnegada se prostram no desejo de vivenciarem milagres . Para os evangélicos em questão o “altar” é um lugar mais santo do que o restante do “templo”, onde o “sacerdote” mediante prerrogativa divina impetra as bênçãos do Senhor.

2. A hierarquização do reino
No catolicismo a figura do Papa impõe sobre os fies o entendimento de que a autoridade divina repousa sobre um único homem. Para os católicos o Sumo Pontífice é o Vigário de Cristo, o representante de Deus na terra. Além disso, Roma faz uma séria distinção entre clérigos e leigos colocando os sacerdotes católicos em um nível acima das pessoas comuns.

Ora, lamentavelmente muitas igrejas evangélicas tem funcionado nos mesmos pressupostos. Nessa perspectiva é possível encontrarmos bispos, apóstolos, profetas e similares que por vontade própria se auto-nomearam representantes de Deus na terra, impondo sobre os seus seguidores suas vontades e doutrinas.

Em igrejas deste naipe a “hierarquização do reino”, tem sido caracterizada pelo aparecimento de estruturas monárquicas, onde “apóstolos” em nome de Deus mandam e desmandam na vida alheia. Tais homens, como ditadores da fé, têm feito do rebanho de Cristo propriedade particular. Além disso, os apóstolos em questão, sem o menor constrangimento “militarizaram” a comunidade dos santos, obrigando a seus liderados a se submeterem sem questionamento as suas ordens e determinações. Em estruturas como estas, é absolutamente comum exigir-se dos crentes, submissão total. Em tais comunidades, a vida cristã é regida exclusivamente por um sistema onde coronelismo e arbitrariedade se misturam. Infelizmente, aqueles que porventura ousem opor-se a este estilo de liderança, sofrem sanções das mais estapafúrdias possíveis.

3. Sincretismo e objetos mágicos
O Catolicismo brasileiro tem por características o misticismo e a superstição. Basta olharmos para a nossa colonização que perceberemos com facilidade mistura de fé e comportamento . Além disso, o catolicismo ultramontano tupiniquim acreditava em milagres de santos, aparições de Maria, em objetos ungidos e santificados, como por exemplo a água benta. Ora, parte da igreja evangélica brasileira também se comporta de forma mística e sincrética. Nessa perspectiva é comum as mais variadas unções, do uso de copo d’água como instrumento de contato, da rosa ungida, do sal grosso, e muitas outras coisas mais.

Conclusão:
Isto posto, chego a conclusão que mais do que nunca necessitamos voltar as ESCRITURAS. Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro, portanto, em tempos difíceis como o nosso onde o sincretismo se multiplica a olhos vistos precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento.

Soli Deo Gloria

Renato Vargens é pastor, conferencista, tendo já pregado o Evangelho em países da América do Sul, Norte, Caribe, África e Europa. É escritor, com 24 livros publicados em língua portuguesa e 1 em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes, editor do site renatovargens, pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói e membro do conselho da Coalizão pelo Evangelho (TGC).

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