7 razões porque a igreja não deve ter blocos de carnaval

O que me preocupa não é o desejo de evangelizar, e sim a forma escolhida para o desenvolvimento dessa missão

Renato Vargens - 20/02/2019 10h17


Nos últimos anos tornou-se comum encontrarmos blocos carnavalescos em algumas igrejas evangélicas.

Com o intuito de pregar o Evangelho durante o carnaval, evangélicos de denominações diferentes criaram blocos e até mesmo Escolas de Samba, cujo objetivo final é pregar aos foliões. Segundo os sambistas de Jesus, essa é uma maneira de evangelizar os perdidos que se encontram absortos em iniquidade e que precisam desesperadamente de Cristo.

Antes de qualquer coisa, preciso afirmar que concordo plenamente com o fato inequívoco de que os perdidos estão mergulhados em iniquidade e que carecem da graça do Senhor. Sem sombra de dúvidas isso é um ponto indiscutível. Verdadeiramente os homens estão destituídos da glória de Deus, mortos em seus delitos e pecados e incapazes de buscarem ao Senhor (Efésios 2.1-10).

Caro leitor, o que me preocupa efetivamente não é o desejo de evangelizar, nem tampouco a vontade de pregar as Boas Novas da Salvação Eterna aos que se perdem e sim a forma escolhida para o desenvolvimento dessa missão.

Permita-me explicar por que sou contra a criação de blocos evangélicos carnavalescos:

  1. Acredito que a evangelização se dá de forma contínua e de modo relacional, isto é, todos nós somos chamados a evangelizar os que se relacionam conosco através de palavras e testemunhos, durante todo o ano, e não em eventos esporádicos;
  2. Porque nem toda contextualização é bíblica. Quando a contextualização abre portas ao mundanismo, paganismo e à ausência de santidade, ela precisa ser rechaçada;
  3. A Igreja foi chamada para pregar Cristo e o arrependimento de pecados e não um tipo de evangelho palatável, cujo foco principal é a satisfação humana;
  4. Pela forte relação com o mundo e com os valores nele existentes. Ora, por mais que digam o contrário, os que saem às ruas para “evangelizar” em blocos carnavalescos, relacionam-se com o mundo e sua cultura de uma forma onde o foco principal não é a glória de Deus, e sim o bem estar do homem (Romanos 12.1-2).
  5. Por tomarem o nome de Deus em vão, fazendo do Senhor instrumento exclusivo de satisfação pessoal. Na minha perspectiva, sair às ruas sambando e rindo, fere o mandamento bíblico de usar o nome do Senhor em vão;
  6. Porque ainda que se diga que o objetivo é a evangelização, o que menos se vê é a pregação do Evangelho;
  7. Por dar ocasião à carne e ao “velho homem”, despertando em muitos o antigo prazer pelo pecado.

Se tudo isso não bastasse, eu pergunto:

Será que, se a Igreja pregasse e vivesse o Evangelho durante o ano todo, não haveriam mais conversões do que comumente temos? Ora, vamos combinar uma coisa? Evangelizar é muito mais do que cantar, sambar e pular. Evangelizar está para além de eventos, programas ou atividades distintas. Evangelizar é compartilhar aquilo que o Senhor fez pelo pecador na cruz do calvário, é confrontar o homem em seus delitos e pecados chamando-o ao arrependimento, é proclamar Cristo como Senhor e Salvador, confrontando o pecador com a dura, porém maravilhosa mensagem da Cruz.

Bem sei que alguns me xingarão de fundamentalista estúpido, de fariseu da modernidade e outras coisas mais. Todavia, ao contrário de alguns, não posso considerar as loucuras do chamado movimento gospel como normais.

Definitivamente, o Brasil precisa de um avivamento!
Definitivamente, o Brasil precisa regressar às Escrituras.
Definitivamente, precisamos chorar e clamar a Deus por mudança no evangelicalismo brasileiro.

“E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as. Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha” (Efésios 5.11-12).

É o que penso, é o que digo!

Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 24 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes.

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