4 razões porque festas juninas evangélicas são sincréticas e afrontam a Deus

No afã de evangelizar, parte da Igreja brasileira tem se aproximado de conceitos anticristãos negociando assim, valores que jamais deveriam ser negociados

Renato Vargens - 28/05/2018 09h47

Existe uma linha extremamente tênue entre contextualização e sincretismo religioso. Na verdade, ouso afirmar que não são poucos aqueles que, no afã de contextualizarem a mensagem, sincretizaram o Evangelho.

Antes de qualquer coisa, gostaria de afirmar que acredito na necessidade de contextualizarmos a mensagem da Salvação Eterna, sem que com isso, negociemos a essência do Evangelho. O problema é que devido a “gospelização” da fé, parte da Igreja brasileira começou a considerar todo e qualquer tipo de manifestação cultural ou religiosa como lícita; proporcionando com isso a participação dos crentes em eventos deste naipe, desde que portanto, houvesse mudança de nomenclatura.

Nessa perspectiva, apareceram as baladas, festas e boates gospel, como também os arraiais evangélicos.

Diante do exposto, gostaria de ressaltar de forma prática e objetiva as principais razões porque não considero lícito ou adequado cristãos organizarem ou participarem de arraiais evangélicos:

1. O background histórico das festas juninas são idólatras, no qual o objetivo final é venerar os chamados “santos católicos”.

Bom, ao ler essa afirmação talvez você esteja dizendo consigo mesmo: “Há, tudo bem, eu concordo, mas a festa junina que eu vou não é católica e sim evangélica, portanto, não rola idolatria.”

Pois é, o fato de transformarmos uma festa idólatra numa festa gospel, não a torna uma festa legitimamente cristã. Do ponto de vista das Escrituras é preciso que entendamos que não fomos chamados a imitar o mundo e sim a transformá-lo.

2. Outro ponto que precisa ser considerado é que ao criarmos uma festa junina evangélica, sem que percebamos, estamos contribuindo com a sincretização do evangelho. Um dos graves problemas da Igreja, ao longo da história, sempre foi a sincretização da fé.

3. Em terceiro lugar acredito que a participação, bem como organização de festas juninas por parte dos cristãos aponta efetivamente para a “mundanização” da Igreja.

Paulo, em Romanos, nos ensina a não nos conformarmos com este século (Romanos 12:1-2), o que significa nada mais, nada menos do que tomar a “forma” deste mundo.

4. Festa Junina não é evangelismo. Festa junina é paganismo. No afã de evangelizar, parte da Igreja brasileira tem se aproximado de conceitos anticristãos, negociando assim, valores que jamais deveriam ser negociados.

Talvez alguns estejam dizendo consigo mesmo: “O importante é que dá certo, por isso não vejo problema em participar de uma festa junina. Quantos incrédulos não vão a esses eventos?”.

Ora, como já escrevi inúmeras vezes, o fato de uma coisa dar certo, não significa que ela esteja certa. Entretenimento nunca foi a melhor estratégia usada para a evangelização.

Como bem dizia Spurgeon, a Palavra de Deus em nenhum momento nos incentiva a promover entretenimento com vistas a ganhar o perdido. O pregador inglês costumava afirmar que “Em nenhuma parte das Escrituras se diz que prover entretenimento às pessoas é uma função da Igreja”.

Ele também afirmou que o diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à Igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo.

Diante do exposto não possuo a menor dúvida em afirmar que as igrejas que organizam festas juninas com danças, vestes caipiras e outras coisas mais, romperam a linha limite da contextualização embarcando de cabeça no barco do sincretismo.

Isto posto, me parece coerente e sábio que, em situações deste tipo, apliquemos a orientação paulina que diz: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” (1 Coríntios 10:22,23).

É o que penso!

Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 24 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes.