3 coisas que os pastores ensinam equivocadamente sobre a Igreja

A Igreja de Cristo tem tido a sua essência metamorfoseada

Renato Vargens - 10/12/2018 10h50

Vivemos dias extremamente complicados e, em virtude disso, inúmeros conceitos equivocados quanto ao papel da Igreja no mundo têm sido disseminados em nossos púlpitos. Nessa perspectiva, a Igreja de Cristo tem tido a sua essência metamorfoseada por pastores que possuem ideias um tanto que diferentes quanto ao papel e missão da Igreja.

Na minha experiência pastoral (e lá se vão quase 25 anos) tenho visto as mais diversas comunidades cristãs priorizando questões secundárias em detrimento à pregação de Cristo e seu Evangelho.

Isto posto, gostaria de elencar três aspectos que normalmente tem sido enfatizados por alguns pastores que do ponto de vista das Escrituras, encontram-se equivocados quando pregado de forma exclusivista e fundamental. Vejamos:

1. A Igreja como ONG ou instituição social
Antes de qualquer coisa não estou afirmando que a Igreja deva fazer vista grossa a miséria, a pobreza, bem como as dores daqueles que sofrem. Mesmo porque, tanto as Escrituras como a história, nos mostram a Igreja servindo como instrumento de alívio para o pobre. A questão na verdade é outra. Tenho visto um número considerável de igrejas, exercendo filantropia, sem contudo proclamar o Evangelho. Ora, a missão prioritária da Igreja é pregar Cristo e não promover assistencialismo, muito menos implementar um Cristianismo marxista, cujo fundamento encontra-se na luta de classes.

2. A Igreja como organização política
Aqueles que me conhecem sabem que não advogo a ideia que comumente tem tomado conta de parte dos evangélicos nos dias de hoje. Não creio na manipulação religiosa em nome de Deus, não creio num messianismo, onde a utopia de um mundo perfeito se constrói a partir do momento em que candidatos especiais são eleitos. Não creio na venda casada de votos, nem tampouco no toma lá dá cá, onde eleitores são trocados por benesses de políticos. Ou até mesmo no conceito de que a Igreja deva funcionar como instituição política. Lamentavelmente, tornou-se comum encontrar igrejas que se parecem mais com um partido político do que com uma agência do Reino, cujo propósito deveria ser pregar Cristo e seu Evangelho para a glória de Deus.

3. A Igreja como um clube de lazer e entretenimento
Uma das ações que tem delineado a agenda da Igreja é o pragmatismo. Nessa perspectiva não se faz o que é certo, mas sim o que dá certo. Nesse contexto, em nome de uma espiritualidade moderna, parte da Igreja brasileira aderiu ao Evangelho do entretenimento, cujo objetivo final é transformar a igreja num local agradável, onde o que importa na verdade é satisfação do cliente.

Ora, a Igreja não foi chamada por Cristo para promover entretenimento. Charles Spurgeon, um dos maiores pregadores de todos os tempos, afirmou há quase 150 anos, que o adversário das nossas almas tem agido como o fermento, levedando toda a massa. Segundo o príncipe dos pregadores, o diabo criou algo mais perspicaz do que sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las. Spurgeon afirmou que a Igreja de Cristo não tinha por obrigação promover entretenimento àqueles que a igreja visitava. Antes pelo contrário, o Evangelho com todas as suas implicações precisava ser pregado de forma simples e objetiva.

Pense nisso!

Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 24 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes.

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