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Francisco e o renascimento do catolicismo tradicional

Morte de Francisco é o símbolo de uma Igreja em transformação

Rafael Satiê - 21/04/2025 18h19

Papa Francisco em Cuba, em 2015 Foto: EFE/Tony Gentile /POOL / ARCHIVO

A morte do papa Francisco, em 2025, marca não apenas o fim de uma era, mas o início de uma profunda transformação no catolicismo global.

Durante seu papado, Francisco foi uma figura de conciliação, buscando diálogo com todos os espectros da política, da sociedade, e até de outras religiões. Sua postura, embora admirada por muitos, tornou-se, para uma parcela crescente de católicos, um símbolo de acomodação num mundo percebido como cada vez mais hostil aos valores cristãos.

Hoje, o catolicismo vive um renascimento em diversos países, com um retorno vigoroso às raízes tradicionais; e a figura central do papa, outrora intocável, parece ter sido relegada a segundo plano diante de uma busca do tradicionalismo e firmeza doutrinária.

Nos últimos anos, o cansaço com o “mundo moderno” tem impulsionado esse movimento. Ideologias como o Woke, o politicamente correto e outras bandeiras associadas à esquerda global provocaram uma reação. Muitos católicos, especialmente os mais jovens, rejeitam a diluição dos valores cristãos em nome de um progressismo secular.

No Brasil, isso se manifesta no ressurgimento das missas tridentinas, que voltaram a atrair multidões em paróquias de norte a sul. Essas celebrações, com seu rigor litúrgico e conexão com a tradição milenar da Igreja, tornaram-se um refúgio para aqueles que buscam uma espiritualidade mais “tradicional”, no sentido de voltar às raízes.

Líderes como frei Gilson e padre Paulo Ricardo emergiram como protagonistas nesse cenário. Com uma abordagem direta e engajada, eles enfrentam a guerra cultural, defendendo a doutrina católica contra os ataques do secularismo e do relativismo moral.

Frei Gilson, com sua música e pregações acessíveis, conquistou um público jovem que vê na fé uma resposta à desorientação contemporânea. Padre Paulo Ricardo, por sua vez, com sua erudição e combatividade, tornou-se uma referência para católicos que desejam uma Igreja militante (até mesmo na política), capaz de resistir às pressões do mundo moderno. Esses líderes, mais do que a figura do papa, têm galvanizado o renascimento do catolicismo no Brasil, fortalecendo uma identidade católica que valoriza a tradição e a ortodoxia.

A postura conciliadora de Francisco, que outrora foi vista como uma virtude, hoje é questionada por muitos fiéis. Suas tentativas de diálogo com setores progressistas, sua abertura a temas sensíveis e sua relutância em confrontar diretamente certas ideologias fizeram com que parte do católicos o percebesse como distante da firmeza necessária para os tempos atuais.

A morte de Francisco carrega uma simbologia profunda. Na teoria do caos, a destruição é frequentemente o prelúdio de um novo começo. O fim de seu papado pode ser interpretado como o fechamento de um ciclo de conciliação e o início de uma era de reafirmação das tradições.

A eleição do próximo papa será um divisor de águas. Há uma grande possibilidade de que o novo pontífice seja um defensor ferrenho das tradições católicas, alguém que, aos olhos do mundo leigo, será rotulado como “conservador”. Esse perfil reflete não apenas uma guinada dentro da Igreja, mas um movimento de toda a sociedade.

Vivemos um momento de retorno ao tradicionalismo, seja na política, com o fortalecimento de lideranças conservadoras em diversos países, seja nos costumes, com a rejeição de valores associados à modernidade líquida. Na religiosidade, isso se traduz na redescoberta de práticas como a missa em latim, o uso do véu por mulheres em igrejas e a valorização de uma moral católica mais rígida.

A morte de Francisco, portanto, não é apenas o fim de um papado, mas o símbolo de uma Igreja em transformação. O catolicismo, revitalizado por líderes locais e pela insatisfação com o mundo moderno, está redescobrindo sua essência.

O próximo papa, seja ele quem for, terá a missão de liderar essa Igreja em um mundo polarizado, onde a conciliação pode não ser mais uma opção. Para os católicos, o futuro parece claro: é hora de voltar às raízes, com firmeza e sem concessões.

Rafael Satiê é vereador pelo Rio de Janeiro e presidente da Comissão de Combate ao Racismo.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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