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Sou velho para ser jovem e jovem para ser velho

As igrejas estão preparadas para pensar em agradar os mais velhos?

Pr. Lucas - 02/07/2018 14h00

Sou velho para ser jovem e jovem para ser velho Foto: Pixabay

Essa é uma frase de uma canção da cantora Sandy, da antiga dupla Sandy e Júnior, lembra? Pois é, essa frase me remete a um assunto que merece uma certa relevância em nossas igrejas.

Nos últimos anos, o mundo passou por uma mudança, o disco de vinil virou CD, que virou EP, que virou áudio digital. A fita cassete com filmes virou assinatura na Netflix. O celular, que foi inventado para se comunicar via frequência, virou mensagem de SMS, virou zap zap, que virou um banco de dados sincronizado e que virou a maior ferramenta de lazer e trabalho. Enfim, tudo ficou muito diferente em 20 anos.

Essa modernidade se tornou necessária em nossas igrejas. A Bíblia virou aplicativo, a harpa foi pro retroprojetor, que ganhou cor no Datashow, que virou imagem em movimento no Lad. As igrejas adotaram os padrões americanos e estão pretas, os cultos estão pirotécnicos e, de certa forma, tudo isso tem promovido um crescimento para a igreja.

Quero ressaltar que meu objetivo não é me opor à inovação e à modernidade. Pelo contrário, sou a favor. Mas quero enfatizar que a modernidade não substitui os princípios. Os princípios são imutáveis. O ponto que quero trazer nesse artigo está ligado às pessoas de meia-idade e, principalmente, da Terceira Idade. Será que elas estão encontrando conforto em nossos cultos? Será que elas se adaptaram aos nossos novos padrões?

Recentemente, tenho ido a cultos que me preparam psicologicamente para um ambiente mais pirotécnico. Tem um som de altura elevada e lads que deixam tudo lindo. Para mim, isso não mudou a essência e o propósito do culto. Mas, outras vezes, já me vi despreparado para um nível muito elevado de pirotecnismo e ambientação em um culto. Em um desses lugares, me fiz a seguinte pergunta: quando eu atingir meus 50 anos será que vou ter espaço na igreja? Será que vou ter vontade de ir ao culto? Será que ainda vou gostar do barulho? Será que vou suportar essa pirotecnia e a barulheira pesada? Será que vou conseguir pular, gritar, fazer dancinhas etc… ?

Então, isso me fez escrever esse artigo. Gostaria de pedir aos pastores que olhassem com carinho para os senhorzinhos e senhorinhas que vão aos nossos cultos para terem uma oportunidade de viverem uma experiência com Deus. Sou totalmente a favor do novo, do interessante. Mas não podemos desprezar nenhuma geração, nem a que veio antes de nós, nem alguma geração posterior a nós. Afinal, daqui alguns anos virão novas pessoas mais fortes e animadas que nós. E não queremos cair no descaso de nossa igreja.

Precisamos cantar canções que tragam emoção a ambas as gerações. Precisamos ter louvores antigos e modernos em nossos repertórios. Precisamos ter uma ambientação para ambas as gerações. Precisamos dar espaço aos nossos jovens, sem deslocar nossos antigos membros da igreja. Da mesma forma, peço aos mais velhos que nos respeitem e nos ajudem a ter a nossa experiência com Deus! Nunca será como antes. Cada geração teve sua experiência. Mas se aproveitarmos o melhor de ambas, teremos uma igreja que comporta uma criancinha e um idoso.

Precisamos começar a discutir isso em nossas igrejas! Não existe idade para adorar a Deus!

Pastor Lucas nasceu em Santa Vitória, em Minas Gerais. Sua carreira de compositor começou em 2011. Há quatro anos como cantor, lançou três CDs. Congrega na Comunidade Evangélica Vida no Altar, em São Paulo. É casado com Thaisa Rahmé e pai de Gabriel e Samuel.