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E se a serpente do Éden não fosse uma serpente?

Muitas das figuras descritas nos livros da Bíblia não são literais, mas são expressões do ponto de vista de um autor que tenta aproximar a visão ao seu entendimento

Pr. Lucas - 07/08/2018 14h38

Olá, caro leitor do Pleno.News, estamos aqui juntos mais uma vez. Você já conhece a história da serpente ter enganado a mulher lá no jardim do Éden. Mas e se eu ousasse pensar que a serpente do Éden não era um animal que falava? Você quer ousar pensar sobre isso comigo? Quero mostrar alguns textos bíblicos e alguns pontos de vista. Você está pronto?

Nas bases do que vamos discorrer aqui, durante este texto, quero enfatizar que Gênesis é um livro similar ao Apocalipse, pois ambos são revelações. Sendo que o Apocalipse revela o futuro e Gênesis, o passado. Em ambos os casos, os autores dos livros não são contemporâneos ao tempo em que eles narram os fatos. O livro do Apocalipse foi escrito por João e Gênesis por Moisés.

Sendo assim, muitas das figuras descritas nos livros não são literais, mas são expressões do ponto de vista de um autor que tenta aproximar a visão ao seu entendimento. Assim como o dragão do Apocalipse não é literal, a serpente de Gênesis pode não ser.

É muito importante lembrarmos que Moisés nasceu e foi criado na cultura egípcia, então sua maneira de ver as coisas está ligada ao seu tempo e à sua cultura.

Em Êxodo 7, Deus na tentativa de encorajar Moisés a enfrentar faraó, manda que ele jogue seu cajado no chão. Quando o objeto cai, se transforma na mesma hora em uma serpente. E ao Moisés pega-la pelo rabo, a serpente volta a ser um cajado. Ali, Deus está transferindo um recado a Moisés com base na sua mente cultural. Observe… pegue em qualquer arquivo físico ou digital e pesquise sobre o animal que representa um faraó. Você descobrirá que a serpente é o símbolo do faraó, eles costumavam usar esse animal em seus turbantes e adornos. Ou seja, quando Deus faz o cajado virar serpente e Moisés o pega, Ele está dizendo nas entrelinhas da cultura: “Moisés, eu estou lhe dando autoridade sobre o faraó”.

Bom … sabendo disso, pense na figura de um faraó e veja se ela se parece com o que este texto descreve. “Assim diz o Senhor Jeová: ‘Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era a tua cobertura: a sardônia, o topázio, o diamante, a turquesa, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo, a esmeralda e o ouro; a obra dos teus tambores e dos teus pífaros estava em ti; no dia em que foste criado, foram preparados. Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti” (Ezequiel 28:13-15).

Esse é um texto que faz uma metáfora sobre Lúcifer ainda em sua condição de querubim da guarda. Então, encontramos aqui uma figura sábia, adornado com ouro e pedras preciosas… veja se isso se parece com um faraó… alguém imponente, recheado de adornos de ouro e pedras preciosas.

Agora observe que logo no início do texto lemos: “…estavas no Éden…” Então, imagine Moisés vendo uma árvore, um ser imponente cheio de adornos e ouro… logo, Moisés tem a imagem de um faraó, mas ao descrevê-lo usa o símbolo de sua figura de autoridade: a SERPENTE.

Como Gênesis é um livro escatológico, eu posso me permitir olhar por esse prisma.

Sendo assim, o que fez o homem pecar contra Deus, não foi um demônio, nem um anjo caído, mas sim o querubim da guarda ainda em sua condição de luz. Há outros indícios que embasam esse pensamento. Um deles é o fato da única referência unindo a posição e a função de um querubim da guarda. Encontramos essa ligação após a serpente ser expulsa do jardim e Deus colocar querubins da guarda em volta da Árvore da Vida (Gênesis 3:24). Isso nos faz pensar na antiga posição de Lúcifer descrita em Ezequiel 28, como lemos anteriormente.

Outro Ponto é o fato de a serpente não representar um demônio, mas sim uma figura de autoridade. E qual a base disso? Simples, em João 3:14,15 encontramos: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Como Jesus pode ser comparado a um demônio? Isso é impossível!

Há ainda outras evidências. Mas quero levantar uma última apenas.

Você já leu que a Árvore da Vida era protegida por um querubim. Então observe a geografia do jardim, e perceba onde ela ficava. Supostamente, havia um querubim lá chamado Lúcifer e foi onde se desenrolou todo o cenário do pecado.

Em Gênesis 2:9 podemos ler que a Árvore da Vida ficava ao lado da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e que, ambas, ficavam no meio do jardim. Isso mostra que Lúcifer via Deus se relacionando com o homem, sem sair da posição em que ele deveria estar como querubim da guarda. E é exatamente aí que ele seduz o homem ao pecado. E, talvez, essa tenha sido a razão de Lúcifer ter sido expulso de sua posição de anjo de luz, porque ele tocou na criação que Deus mais amava.

Então vem o plano da redenção divina: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

O fato de Deus ter dado seu filho por nós, revela o quanto Ele nos amava, e nos ama. Por causa desse amor destinado a nós, o pecado de Lúcifer teve um peso de condenação eterna.

Termino este artigo alertando que estou apenas pensando escatologicamente, pois não posso afirmar que esse seja um ponto irrefutável, já que estamos lidando com um livro de revelação.

Forte abraço!

Pastor Lucas nasceu em Santa Vitória, em Minas Gerais. Sua carreira de compositor começou em 2011. Há quatro anos como cantor, lançou três CDs. Congrega na Comunidade Evangélica Vida no Altar, em São Paulo. É casado com Thaisa Rahmé e pai de Gabriel e Samuel.