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O que a esquerda esconde sobre o nazismo

A ideologia extremista voltou ao debate após fala polêmica em podcast

Pedro Augusto - 10/02/2022 12h11

O que a esquerda esconde sobre o nazismo Foto: Pixabay

O nazismo voltou ao centro do debate após as declarações de Monark, do Flow Podcast. O meu objetivo não é tratar da fala do influenciador, já que as instituições públicas e a própria empresa estão tomando as devidas ações. Quero tratar hoje da suposta proximidade entre nazismo e “direita”, tema que voltarei a tratar mais vezes aqui. Será que há alguma proximidade mesmo?

Para começo de conversa, a direita – seja aquela formada pelos conservadores, liberais, pelos liberais clássicos ou por aqueles que têm pontos em comum com estes grupos, como os libertários – sabe a influência que a cultura judaico-cristã exerce nessas correntes político-culturais, justamente em função da civilização e das duas religiões originárias dos judeus (judaísmo e cristianismo), o povo que Hitler mais odiava.

Além disso, o nazista jamais declarou ser de direita, liberal, conservador etc. Aliás, Adolf Hitler criticou o marxismo em diversas oportunidades em seu livro Mein Kampf [Minha luta]. Logo, como fica claro ali, ele não era um marxista. Mas, apesar de suas críticas a Karl Marx, Hitler jamais criticou o socialismo como ideologia. Na verdade, ele era, sim, um socialista, mas não da linha marxista.

Embora na academia brasileira leia-se apenas Marx e seus seguidores, o socialismo é uma ideologia que não se resume apenas ao grande nome desta corrente. Há também, por exemplo, o socialismo fabiano, a social-democracia e outros absurdos, como o socialismo cristão. Ou seja, a teoria socialista é maior do que o marxismo, e muitos pontos dessa corrente são anteriores ao autor dela.

Hitler sempre disse que era um socialista, mas que abominava Marx
Para comprovar, veja a seguir um trecho de uma fala de Adolf Hitler publicada na revista alemã Der Spiegel:

“Nós somos socialistas. Estamos interessados ​​em todos os problemas da classe trabalhadora, porque são problemas alemães. Mas não acreditamos que pode haver outra solução para estes problemas a não ser o anti-marxismo, ou seja, o nacionalismo. Partido Nacional Socialista é o nosso partido, e este nome deixa claro onde estamos. Temos nenhuma objeção aos comunistas”.

Em uma entrevista em 1923, Hitler também disse o seguinte:

“O socialismo é a ciência de lidar com o bem comum. O comunismo não é o socialismo. O marxismo não é o socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram o seu significado. Tire o socialismo dos socialistas.

O socialismo é uma antiga instituição ariana e germânica. Nossos antepassados ​​alemães tinham certas terras em comum. Cultivaram a ideia do bem comum. O marxismo não tem o direito de se disfarçar de socialismo. O socialismo, ao contrário do marxismo, não repudia a propriedade privada.

Nós poderíamos ter nos chamado o Partido Liberal. Nós escolhemos chamar-nos [de] ‘os nacional-socialistas’. Nós não somos internacionalistas. Nosso socialismo é nacional. Exigimos o cumprimento das reivindicações justas das classes produtivas pelo Estado, com base na solidariedade racial. Para nós, Estado e raça são um.”

Hitler, conforme revela a entrevista, já contradisse indiretamente um ponto que muitos usaram como argumento, o de que ele não era socialista por tentar invadir a União Soviética. Mas, ao contrário dos soviéticos, que eram socialistas internacionalistas, o nazismo era nacionalista. Os nazistas queriam um socialismo apenas na Alemanha e não acreditavam em revoluções internacionais. Eles não queriam interferências de potências externas nos assuntos alemães.

O antagonismo entre o nazismo e Marx se dá também porque o segundo era um judeu; era de um povo que, de acordo com os nazistas, degeneraram não só o socialismo, mas também a arte, como mostra o documentário Arquitetos da Destruição.

O que Mises falava sobre o nazismo?
Em um trecho do livro As Seis Lições, Ludwig von Mises explica por que a economia nazista era socialista, embora existissem algumas empresas privadas.

“Na Alemanha de Hitler havia um sistema de socialismo que só diferia do sistema russo na medida em que ainda eram mantidos a terminologia e os rótulos do sistema de livre economia. Ainda existiam “empresas privadas”, como eram denominadas. Mas o proprietário já não era um empresário; chamavam-no “gerente” ou “chefe” de negócios (Betriebsführer).

Todo o país foi organizado numa hierarquia de führers; havia o Führer supremo, obviamente Hitler, e em seguida uma longa sucessão de führers, em ordem decrescente, até os führers do último escalão. E, assim, o dirigente de uma empresa era o Betriebsführer. O conjunto de seus empregados, os trabalhadores da empresa, era chamado por uma palavra que, na Idade Média, designara o séquito de um senhor feudal: o Gefolgschaft.

E toda essa gente tinha de obedecer às ordens expedidas por uma instituição que ostentava o nome assustadoramente longo de Reichsführerwirtschaftsministerium (Ministério da Economia do Império), [em] cuja frente estava o conhecido gorducho Goering, enfeitado de joias e medalhas. E era desse corpo de ministros de nome tão comprido que emanavam todas as ordens para todas as empresas: o que produzir, em que quantidade, onde comprar matérias-primas e quanto pagar por elas, a quem vender os produtos e a que preço.

Os trabalhadores eram designados para determinadas fábricas e recebiam salários decretados pelo governo. Todo o sistema econômico era agora regulado, em seus mínimos detalhes, pelo governo.

O Betriebsführer não tinha o direito de se apossar dos lucros; recebia o equivalente a um salário e, se quisesse receber uma soma maior, diria, por exemplo: “Estou muito doente, preciso me submeter a uma operação imediatamente, e isso custará quinhentos marcos”. Nesse caso, era obrigado a consultar o führers do distrito (o Gauführer ou Gauleiter), que o autorizaria – ou não – a fazer uma retirada superior ao salário que lhe era destinado. Os preços já não eram preços; os salários já não eram salários – não passavam de expressões quantitativas num sistema de socialismo.”

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Pedro Augusto é formado em Jornalismo, já escreveu para outros sites conservadores, possui redes sociais sobre história, é viciado em livros e em breve estará cursando Teologia.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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