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O novo Congresso não é conservador

Ele foi apelidado dessa forma pela grande mídia

Pedro Augusto - 11/10/2022 13h45

Congresso Nacional Foto: EFE/EPA/ROBERT GHEMENT

Nos últimos dias, você com certeza ouviu que o novo Congresso é conservador e que facilitará a vida de Bolsonaro, caso eleito, ou dificultará a presidência de Lula, caso o ex-condenado seja eleito.

Contudo, uma análise mais aprofundada mostra que esse novo Congresso não é tão conservador assim; mas, na verdade, foi apelidado dessa forma pela grande mídia que não sabe o que é conservadorismo.

Para grande parte dos jornalistas – e até dos brasileiros – ser conservador tem a ver com moralismo ou simplesmente ser contra as pautas de esquerda.

Antes de dar uma breve explicação do porquê esse Congresso não é conservador, vamos responder uma pergunta: o que é o conservadorismo?

Ele é uma filosofia política que preza pela prudência, mudanças graduais e o ceticismo político, já que conservadores não acreditam em salvadores da pátria, nem em revoluções políticas.

O conservadorismo surgiu no século 18 durante a Revolução Francesa. Seu principal representante foi um político inglês chamado Edmund Burke, que lutou contra os efeitos revolucionários da França na Europa.

Apesar de ser apontado como um evento histórico que proporcionou um grande progresso ao mundo, a Revolução Francesa espalhou a morte, o terror e o radicalismo político. Isso a ponto de matar qualquer pessoa que não fosse revolucionária o suficiente. Ao observar os efeitos que causavam a busca por uma sociedade perfeita, Burke resolveu fazer oposição a essas políticas e inspirou uma série de políticos e intelectuais a fazerem o mesmo.

SOCIALISMO
Filho da Revolução Francesa, o socialismo ganhou força na Europa e prometia abalar as estruturas sociais para trazer a igualdade social e acabar com a exploração. Contudo, como na Revolução Francesa, a busca pela sociedade perfeita foi feita a qualquer preço. A conclusão nós vimos no século 20: 100 milhões de vítimas do socialismo.

Os conservadores faziam uma bela oposição aos socialistas no Ocidente; contudo, ao ver que o proletariado de países como Estados Unidos, França e Inglaterra não se uniam para derrubar o capitalismo, mas continuavam desfrutando dos benefícios desse sistema econômico, a esquerda se reinventou e entendeu que o foco não deveria ser o proletariado e a questão econômica, mas sim a cultura.

Liderados pelos socialistas fabianos, pensadores da Escola de Frankfurt e Antonio Gramsci, a esquerda mudou o seu foco e iniciou um processo de desconstrução cultural. Foi atacada a instituição familiar, a relação entre homem e mulher, como ambos se viam, o sexo, a religião etc.

Só como guia de exemplo, Hebert Marcuse, no livro Eros e Civilização, afirmou que o capitalismo oprimia os desejos sexuais. Por isso, uma sexualidade livre era necessária com o objetivo de abalar as relações sociais e derrubar o capitalismo para a instauração do socialismo.

Ao identificar que a luta agora era no campo moral foi que conservadores precisaram se adaptar e atuar nesse campo. Daí a confusão de que conservadorismo e moralismo são sinônimos.

Depois dessa breve explicação sobre conservadorismo e as mudanças da esquerda, vamos voltar a falar sobre o Congresso. Uma das grandes marcas da política brasileira é o fisiologismo. Isso é tão verdade que é comum ver políticos trocando constantemente de legenda, partidos sendo oposição ou apoio de acordo com os interesses do momento e também sem uma filosofia política fixa.

CENTRÃO
Atualmente, muitos desses políticos fazem parte do chamado Centrão que, como falei anteriormente, muda de lado conforme o interesse do momento. Apesar de estarem ao lado de Bolsonaro hoje podem trair tranquilamente o presidente caso seja necessário no futuro, como fez o PSL.

Se acharem que o ex-presidiário Lula for o melhor para os interesses do momento, muitos “conservadores”, assim chamados pela grande mídia, correrão na mesma hora para os braços do petista em busca de algum interesse.

Talvez, quem sabe, um mensalão volte com Lula para seduzir esses “conservadores”?

Como eu falei: muitos desses políticos apontados como conservadores, não são conservadores de fato. Estão com Bolsonaro porque é o interesse do momento.

Infelizmente, a fisiologia é a marca de nossa política.

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Pedro Augusto é formado em Jornalismo, já escreveu para outros sites conservadores, possui redes sociais sobre história, é viciado em livros e em breve estará cursando Teologia.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.
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