Homens cristãos não devem escutar a Redpill
Ela é só mais uma ideologia humana que distorce a verdade
Pedro Augusto - 19/09/2025 11h23

Com a ascensão do feminismo, surgiu um movimento hostil ao masculino. Lembro de ouvir na faculdade que nós, homens, éramos os opressores das mulheres, como se o machismo fosse um câncer em nós que deveria ser eliminado com a quimioterapia da “desconstrução”.
Muitos rapazes, por aceitação ou para conseguir relacionamentos, cederam, fingindo concordar com essa cartilha. Foi nesse ambiente de crítica ferrenha ao masculino que surgiu a Redpill, uma resposta ao feminismo.
Mas acontece algo ruim: a Redpill não resgata o valor do masculino à luz do cristianismo; ela substitui o exagero de um lado por outro. Mulheres acima dos 30 são desvalorizadas, mães solteiras são indignas de relacionamentos e, se uma mulher teve uma vida sexual ativa antes de se converter, é tratada como um carro usado tentando “zerar a quilometragem”.
Ora, se existe algo mais distante da mensagem do Evangelho é isso. A Bíblia está cheia de histórias de transformação de pessoas que tiveram passados problemáticos, inclusive na área sexual. O encontro de Jesus com a samaritana é um exemplo clássico: Ele a confrontou, sim, mas ofereceu perdão e nova vida. O mesmo vale para a mulher adúltera: “Eu não te condeno; vá e não peques mais” (João 8:11).
O que a Redpill chama de “zerar quilometragem” nada mais é do que o milagre da graça: Jesus perdoando, transformando e dando recomeços.
Quando uma mulher se arrepende e decide “zerar a quilometragem”, isso não é motivo de zombaria, mas de celebração. Afinal, é mais uma pecadora alcançada pela misericórdia divina, como todos nós fomos.
E o mais irônico? Muitos homens que agem como os grandes juízes do passado sexual das mulheres, são os mesmos que consomem pornografia e fazem sexo fora do casamento.
A Bíblia não deixa margem para hipocrisia: sexo antes do casamento é pecado tanto para mulheres quanto para homens. E Jesus deixou claro que até o olhar impuro já condena. Ou seja, quem critica costuma estar igualmente sujo.
Um homem cristão não precisa da Redpill para guiar sua vida. Ele precisa abrir a Bíblia. Ali está tudo: Paulo e Pedro ensinam como o marido deve ser e tratar a esposa; Salomão, em Provérbios, descreve os tipos de mulher que devem ser buscadas e evitadas; e José nos dá o exemplo de quem prefere a pureza.
A Redpill pode até soar como resistência ao feminismo; mas, para o cristão, ela é só mais uma ideologia humana que distorce a verdade.
O verdadeiro homem não é aquele que exige pureza de uma mulher enquanto esconde seus pecados, mas aquele que busca ser puro diante de Deus, que exerce misericórdia e que entende que a graça de Cristo sempre vale mais do que qualquer discurso “redpillado” de masculinidade barata.
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Pedro Augusto é formado em Teologia pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro e também em Jornalismo. |



















