Há uma divisão entre os ministros do STF
Ministros estão começando a perceber que proteger Moraes é um risco pessoal
Pedro Augusto - 04/08/2025 11h57

Durante muito tempo, Alexandre de Moraes agiu de forma soberana no Supremo Tribunal Federal, com decisões questionáveis chanceladas sem resistência pelos colegas. Mas os ventos começaram a mudar…
Desde que o governo dos Estados Unidos aplicou sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky – e cancelou os vistos da maioria dos ministros da Corte – o ambiente no Supremo deixou de ser de unanimidade e passou a ser de cautela.
A divisão está ficando visível. A nota oficial do STF, redigida para defender Moraes, não contou com o apoio unânime dos ministros. Nas redes sociais, apenas uma minoria manifestou algum tipo de apoio ao colega.
Na volta das atividades do Tribunal, a maioria optou por calar-se diante da crise, deixando Moraes falando praticamente sozinho. Para completar o cenário desconfortável, um jantar promovido por Lula para articular uma reação política à Lei Magnitsky teve a ausência de cinco dos 11 ministros sem explicações.
Mais ainda: decisões que estariam, naturalmente, sob relatoria de Moraes, estão sendo redistribuídas para outros ministros. Luiz Fux assumiu o pedido de prisão humanitária de Daniel Silveira, enquanto Cristiano Zanin ficou com a ação que tenta impedir os bancos de cumprirem as sanções norte-americanas. Coincidência? Muito improvável.
A verdade é que muitos não querem pagar o preço de seguir Alexandre de Moraes nessa queda de braço com os Estados Unidos. E os ministros do STF, até então parceiros nessa empreitada, começam a perceber que o custo pessoal pode ser alto demais.
Por que essa reviravolta agora? Porque a Lei Magnitsky é clara: quem colabora com o sancionado pode seguir pelo mesmo caminho. E os ministros sabem disso. Sanções como bloqueio de contas no exterior, suspensão de cartões internacionais e congelamento de imóveis são um recado direto. E nenhum deles quer ver seu patrimônio escorrendo pelo ralo.
A imprensa já especula que mais quatro ministros estão na mira das sanções. Entre os possíveis nomes, aparecem Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso — dois dos poucos que ainda defenderam Moraes publicamente. Barroso, inclusive, deve estar especialmente preocupado: seu imóvel de R$ 22 milhões em Miami agora corre o risco de ser bloqueado, conforme noticiado recentemente.
A ficha parece estar caindo. O STF está começando a perceber que proteger Moraes é um risco pessoal. E esse cálculo pode ser o que vire o jogo a favor dos críticos do ministro.
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Pedro Augusto é formado em Teologia pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro e também em Jornalismo. |
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