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A mídia não tem moral para criticar o projeto da anistia

Jornalistas que aparecem na TV dando lição de democracia, já estiveram do outro lado da lei

Pedro Augusto - 15/09/2025 10h04

Luta pela anistia ampla, geral e irrestrita em 1979 Foto: Paulo Leite / Estadão Conteúdo

Em 1979, o regime militar já dava sinais de cansaço. Foi então que surgiu a Lei da Anistia, que perdoou todo tipo de opositor: desde aqueles que realmente sonhavam com uma democracia até quem queria trocar um governo militar por uma ditadura comunista.

E o que aconteceu depois? Vários desses anistiados foram parar exatamente onde o poder sempre se mantém: na política e, claro, nas redações dos grandes jornais.

Hoje, alguns dos jornalistas que aparecem na TV com ar professoral, dando lição de democracia, já estiveram do outro lado da lei, e não como inocentes perseguidos. Um exemplo: comentarista famoso que ajudou a planejar o sequestro de um embaixador estrangeiro. Outro: figura respeitada na mídia que integrou o PCdoB, grupo que não sonhava com democracia alguma, mas com a instalação de uma ditadura comunista no Brasil.

E vale lembrar: essa ideologia que eles defendiam não é uma abstração romântica dos livros de História. O comunismo do século 20 deixou quase 100 milhões de mortos entre perseguições, fuzilamentos e fomes induzidas.

Nenhum dos países que abraçaram o modelo, como a União Soviética, China ou Cuba, conheceu a democracia. Conheceu, sim, regimes totalitários que esmagaram sua própria população.

Então, dizer que a esquerda dos anos 50, 60 e 70 lutava por democracia no Brasil é, no mínimo, um exercício de ficção.

Pois bem: se aqueles militantes, muitos comprometidos com um projeto autoritário, tiveram direito ao perdão em 1979 e puderam seguir suas vidas, alguns até virando “formadores de opinião” na mídia de hoje, por que os presos do 8 de janeiro não podem ser anistiados?

É muita hipocrisia manter em seu quadro de funcionários antigos radicais de esquerda que foram anistiados, enquanto brada-se contra a anistia dos presos do 8 de janeiro.

Pedro Augusto é formado em Teologia pela Faculdade Batista do Rio de Janeiro e também em Jornalismo.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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