Remédio gratuito pela Farmácia Popular pode proteger contra demência
Um estudo recente mostrou um possível efeito da metformina; nosso conhecido e popular Glifage
Noé Alvarenga - 10/08/2026 09h34

Um estudo recente mostrou um possível efeito da metformina — nosso conhecido e popular Glifage — na prevenção da demência. Mas essa história não começou agora. Há muitas décadas se “desconfia” que a metformina tenha propriedades que vão além de tratar meramente o diabetes e a resistência insulínica.
Essa ideia ganhou mais força a partir da década de 2010, quando alguns estudos começaram a chamar atenção para algo curioso: pessoas que usavam metformina pareciam apresentar menor mortalidade e menor ocorrência de algumas doenças associadas ao envelhecimento.
Outros estudos vieram, com o tempo, levantar mais ainda a lebre de que a metformina talvez não fosse só um antidiabético “baratinho”, mas uma das drogas mais promissoras quando o assunto é longevidade humana.
Mas isso não significa que isso esteja provado. Se fosse, estaria vindo na água da torneira, junto com o flúor. Mas significa que existe uma possibilidade científica muito interessante sendo estudada e que pode contribuir em muito para a saúde humana, se comprovada. No Brasil, inclusive, a metformina pode ser obtida gratuitamente pelo programa Farmácia Popular mediante receita médica.
Existem muitos outros medicamentos estudados nessa área. Talvez o segundo mais famoso seja a rapamicina, uma droga imunossupressora com diversos efeitos adversos já mapeados. Comparada à rapamicina, a metformina tem uma enorme vantagem: é um medicamento usado há décadas, muito conhecido pela Medicina, barato e com poucos efeitos adversos, a maioria gastrointestinais e facilmente manejáveis.
No meu campo, a nutrologia aplicada à obesidade, a metformina pode ajudar a melhorar a sensibilidade à insulina, retardar a progressão do pré-diabetes para diabetes e costuma produzir uma perda de peso modesta em diversos pacientes – cada quilinho conta!
Ao longo da minha carreira na Medicina, tive a sorte de conviver com alguns professores que usavam metformina mesmo sem o diagnóstico de diabetes.
Eu perguntava:
— Mas por quê?
Eles davam aquela risadinha e respondiam:
— Faz bem.
Isso foi muito antes da internet colocar estudos científicos praticamente na palma da nossa mão.
Hoje, à medida que testemunho o meu próprio envelhecimento e tenho pesquisado cada vez mais sobre longevidade humana, consigo entender um pouco mais o que talvez estivesse por trás daquela risadinha.
Enquanto a ciência tenta descobrir até onde ela realmente pode interferir no envelhecimento, há coisas sobre as quais já temos muito menos dúvida: atividade física regular (e não “quando dá”), alimentação rica em nutrientes, sono reparador como obsessão e controle do peso e dos exames. Independentemente do que os estudos comprovarem sobre o efeito da metformina sobre o nosso corpo, esses fatores continuam sendo a nossa verdadeira base de longevidade.
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Dr. Noé Alvarenga é médico nutrólogo no Rio de Janeiro, com foco em obesidade, emagrecimento e longevidade. Escreve sobre metabolismo, GLP-1 e hábitos de vida saudáveis, sempre com base nas evidências científicas mais atuais. https://drnoe.com.br/ |













