Uma igreja passiva não tem como defender a família de uma cultura agressiva

Por séculos influenciamos a sociedade, orientando caminhos através dos valores que recebemos dos nossos ancestrais

Marisa Lobo - 17/11/2018 08h30

O sociólogo, escritor e intelectual norte-americano, Todd Gitlin, fez uma afirmação muito interessante no livro “Mídia Ilimitada: Como a Torrente de Imagens e Sons Supera Nossas Vidas”. Se referindo à influência dos veículos de comunicação sobre a sociedade, ele disse que “sem dúvida as mídias têm o seu efeito sobre comportamento e ideias, não tanto porque cada exposição isolada seja poderosa, mas porque se repetem”.

A noção de repetição exposta pelo autor é o ponto de partida da nossa pequena reflexão. Como sociólogo e crítico da mídia de massa, Gitlin sabe os efeitos nocivos que um número exaustivo de informações repetitivas pode causar na identidade cultural de um povo, afetando seus valores e estilo de vida em geral. Aos poucos, somos tão bombardeados de informações midiáticas que perdemos a noção das nossas referências, porque simplesmente assimilamos o que vem de fora como verdade sem conseguir filtrar o que é bom ou ruim.

A igreja cristã está diretamente envolvida nesse processo. Jamais fomos imunes, pelo contrário, somos parte dele. Por séculos influenciamos a sociedade, orientando caminhos através dos valores que recebemos dos nossos ancestrais. Mas, agora em nosso tempo, com o surgimento da mídia de massa e a globalização acelerada, onde cada pessoa possui na palma da sua mão informações do outro lado do mundo em questão de segundos, como podemos impedir que nossos jovens, irmãos e familiares, sejam influenciados negativamente pelo mundo?

Precisamos deixar a passividade e o comodismo

Alguns dias atrás o canal Fox News publicou em seu site um artigo do pastor Chris Sonksen, da igreja South Hills Church, na Califórnia. Ele fez um levantamento estatístico sobre o comportamento dos cristãos atualmente. Para nossa profunda tristeza, ele disse que “muitos membros da igreja são passivos quando se trata de servir, contribuir e evangelizar onde moram”, e que “somente 39% dos evangélicos praticantes consideram literalmente a Bíblia como a Palavra de Deus”.

É inevitável não ficar abalada diante desses dados. Pelas igrejas onde ando palestrando e levando para muitos o testemunho da minha luta contra as drogas, o aborto, ideologia de gênero, a destruição dos valores da família e tantos outros desafios, fico imaginando quantos na multidão realmente compreendem a importância de saírem em defesa dos nossos princípios. Quantos na verdade são apenas ouvintes, mas não pessoas dispostas a testemunhar o que Deus realmente significa em suas vidas.

O pastor Chris Sonksen não parou por ai. Ele também disse que “menos de 20% obedecem ao princípio bíblico de contribuir e apenas 5% compartilharam sua fé com um não crente. Mais da metade dos membros da igreja frequentam os cultos uma vez por mês ou menos”. Como podemos como igreja de Cristo, enfrentar uma cultura agressiva como a nossa, onde todos os dias vemos na TV, rádios, jornais e sites da internet, uma avalanche de informações promovendo o adultério, a promiscuidade, a relativização moral e a descrença no Deus todo poderoso, se nós mesmos não temos o devido compromisso com o Senhor?

Sonksen disse que a passividade está “derrubando igrejas lentamente” e eu não duvido disso, pois vejo constantemente em minha caminhada como alguns preferem esconder o rosto para não dar a “cara à tapa” diante de assuntos polêmicos, os que chamamos de “politicamente corretos”. O silêncio e a omissão são covardias em um mundo de caos cultural, e a igreja que se omite diante dele não está isenta das suas consequências. Será essa a postura que desejamos ensinar para nossos filhos e irmãos, da passividade diante do caos?

O Apóstolo Paulo, não por acaso já advertia em Romanos 12:2: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Portanto, não fomos chamados para a passividade e comodismo, mas para sermos sal e a luz nessa terra, custe o que custar. Se queremos falar de família, princípios cristãos e defender o que acreditamos, precisamos sair da igreja, como sugere Sonksen, no sentido de influenciar o mundo em todos os ambientes. Esse é o único meio de não sermos engolidos pela agressividade do mundo.

Marisa Lobo possui graduação em Psicologia, é pós-graduada em Filosofia de Direitos Humanos e em Saúde Mental e tem habilitação para Magistério Superior.

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