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Prisão de Roberto Jefferson é usada para escravizar a população através do medo

Afinal, qual é o real motivo da prisão de Roberto Jefferson? Crimes cometidos? Quais?

Marisa Lobo - 15/02/2022 12h16

Roberto Jefferson Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O ex-deputado Roberto Jefferson está preso há mais de seis meses por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Como psicóloga, ativista pró-vida, especialista em direitos humanos e saúde mental, tenho motivos para acreditar que essa prisão não tem nada a ver com justiça, mas com algo perverso e bastante conhecido na história: o uso do medo como ferramenta de controle.

Juridicamente, eu me baseio na opinião de vários advogados e juristas que já se manifestaram do modo público e reservado contra essa prisão, afirmando taxativamente que ela é ilegal e autoritária. Afinal, qual é o real motivo da prisão de Roberto Jefferson? Crimes cometidos? Quais? Calúnia e difamação, incitação à violência?

E quantas pessoas sem direito a foro privilegiado no Brasil já foram presas, “preventivamente” e sem direito à defesa, por determinação da mais alta Corte do país – o que significa que não poderão recorrer a outras instâncias – por causa dessas acusações?

No mundo real, onde o ordenamento jurídico deveria existir, mesmo quando uma pessoa comete tais crimes, ela tem direito à defesa. Antes de tudo, é apresentado uma queixa formal às autoridades competentes para haver uma denúncia, uma possível acusação e, só então, um julgamento, podendo essa pessoa ser condenada ou não.

No caso de Roberto Jefferson, que até então exercia legitimamente a presidência de um dos maiores e mais antigos partidos políticos do Brasil, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), todo o ordenamento jurídico foi literalmente atropelado! Não vejo como ser possível admitir que um brasileiro esteja preso nessas circunstâncias, senão por autoritarismo e outros interesses.

ESCRAVIDÃO PELO MEDO
Nas mãos de tiranos, o medo sempre foi e continua sendo usado como uma arma. A história nos mostra isso.

Na Alemanha nazista, por exemplo, vizinhos e parentes denunciavam uns aos outros por causa do pavor imposto pelo regime de Adolf Hitler contra os críticos do seu regime.

Nos países comunistas, não é diferente. Até hoje, a Coreia do Norte impõe o medo como arma de controle psicológico sobre a sua população.

Os relatos de Yeonmi Park, que fugiu do país em 2007 e chocou o mundo com a sua história, deveriam servir de lição para os “iluministros” que aqui, no Brasil, fazem uso da caneta para manifestar as suas faces tirânicas.

Em um vídeo publicado recentemente pela PragerU, Yeonmi se recorda de uma fala da sua mãe, de quando ela era criança, que ilustra perfeitamente o que o medo produz: “Nem sussurre porque os pássaros e os ratos podem ouvi-la”, dizia a mãe de Yeonmi referindo-se aos agentes do regime comunista norte-coreano.

Ou seja, o regime conseguiu produzir um clima de medo tão intenso que a população passou a ter a sensação de estar sendo vigiada 24h por dia, em qualquer lugar.

Pergunto aos leitores, usuários das redes sociais, pais e mães que saíram às ruas em 7 de setembro passado: vocês estão notando alguma semelhança com o que estamos vivenciando e vendo acontecer no Brasil?

A tomada do Talibã no Afeganistão, no começo do ano passado, também contou com o poder do medo. Muitos ficaram impressionados com a rapidez com que os terroristas tomaram a capital do país. Ocorre que, segundo alguns especialistas, o trauma vivenciado pela população afegã ao longo dos anos já havia produzido um medo tão extremo que a simples notícia da chegada dos talibãs foi suficiente para quebrar a resistência ao grupo.

Portanto, como podemos notar, o medo pode ser uma arma tão poderosa quanto uma bomba.

A prisão de Roberto Jefferson tem servido para impor este sentimento em nossa população, pois visa calar os críticos através da intimidação. Alguns dizem defender a democracia e a liberdade de expressão, mas apenas até onde o conteúdo da crítica não é voltado contra os “poderosos da toga”.

A prova disso está no bloqueio do pagamento a mídias aliadas ao governo, outro exemplo de medida autoritária que visa sufocar os críticos e impor o medo aos demais.

Quais crimes cometeram? Em que parte do Código Penal se baseia a decisão de impedir que cidadãos tenham acesso ao próprio salário, fruto de um trabalho legítimo que envolve a liberdade de opinião?

Termino lembrando as palavras do presidente Jair Bolsonaro, ao dizer que não há diferença entre uma ditadura que vem pelas armas da que vem pelas canetas. No Brasil de hoje, a maior ameaça à democracia vem das canetas de alguns ministros autoritários que pensam ser os donos do país.

Querem fazer de Roberto Jefferson uma lição, mas estão enganados. No final, o Bob sairá mais fortalecido do que nunca, pois, acima dele e de todos, há um Deus que é o perfeito Juiz, e Ele não deixará que os injustos com síndrome de tirania escravizem o nosso povo pelo medo. A verdadeira Justiça será feita, e é nela que eu confio!

Marisa Lobo possui graduação em Psicologia, é pós-graduada em Filosofia de Direitos Humanos e em Saúde Mental e tem habilitação para Magistério Superior.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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