O risco de acreditar que a mentira é normal

Quem disser que nunca mentiu, com certeza está mentindo. E não são só os especialistas que dizem isso. A Palavra de Deus confirma esta verdade

Marisa Lobo - 01/04/2019 15h20

A Palavra de Deus não aceita meias verdades Foto: Pixabay

A mentira é tão comum entre a humanidade que corremos o risco de achá-la normal. Conhecemos mentiras que machucam, mentiras engraçadas, mentiras que difamam histórias, mentiras que traem, mentiras que são capazes de mexer com a economia de um país, mentiras que causam guerras, mentiras que destroem amores e sentimentos. Quem disser que nunca mentiu, com certeza está mentindo. E não são só os especialistas que dizem isso. A Palavra de Deus confirma esta verdade em 1 João 1:10 – “Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”.

Não estamos falando necessariamente de grandes farsas, mas de pequenas mentiras ou, se preferir, omissões, que permeiam a vivência social. Muitas vezes a mentira funciona para preservar a privacidade, os vínculos afetivos, evitar constrangimentos, não ferir sentimentos, fugir de um castigo, escapar de uma situação embaraçosa. Nesses casos, a sociedade a tolera e até recebe bem a troca da franqueza por uma meia verdade.

E Deus? Ele aceita meias verdades?
Já a Palavra de Deus não aceita meias verdades. Segundo a Bíblia, nossa palavra deve ser “Sim, sim. Não, não, porque o que passar disto é de procedência maligna” (Mateus 5:37). Tanto que ela não escondeu os erros e as mentiras que grandes heróis da fé, tementes a Deus, já cometeram. Como o caso de alguns deles que usaram as mentiras para realizar seus desejos, outros para beneficio próprio, por medo ou por falta de fé.

Deus descreve em Sua Palavra todas as verdades e também todas as mentiras que foram ditas, não escondendo também as consequências que essas mentiras trouxeram, apesar de seus autores terem se arrependido e sido perdoados. Esses personagens, grandes homens, sofreram muito espiritualmente, psicologicamente e socialmente.

Deus nunca escondeu da humanidade as mentiras ditas, nem as manipulações feitas pelos Seus servos. Nem mesmo as de Davi, que é conhecido como o homem segundo o coração de Deus. Também ele proferiu enganos e mentiras para conquistar sua amada Bate-seba. Deus não escondeu suas armações, seu pecado, nem tão pouco escondeu as consequências desastrosas na vida de Davi. Após estas armações decorrentes de suas mentiras, a vida de Davi, que foi marcada por grandes feitos, grande amor e adoração a Deus, foi também marcada por tragédias advindas das consequências de seus erros, pecados e mentiras que provocaram uma sucessão de conflitos e tragédias, desde à morte de filhos, até à perda de batalhas e estupro de sua filha. Ou seja, mentira é sempre mentira, e cedo ou tarde, sofreremos suas consequências.

“Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte” (Apocalipse 21:8).

Dizem os profissionais que muitas vezes a mentira é um mal necessário, que pode evitar problemas maiores, seja no relacionamento familiar, de trabalho, de amizade ou mesmo em relacionamentos afetivos. Mas, e Deus? O que Ele diz sobre a mentira?

“Pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência” (1 Timóteo 4:2).

O fato é que especialistas sérios e verdadeiros também concordam que a mentira traz problemas muito sérios para quem mente e para quem está sendo enganado por ela. Mas, em particular, para as pessoas que usam destes artifícios, seja para o fim que for, eu afirmo que elas sofrem alguns tipos de problemas sociais, comportamentais, físicos, psicológicos e espirituais.

Uma ansiedade que denuncia
O mentiroso fica, por exemplo, extremamente ansioso, por tentar desesperadamente convencer os outros da veracidade de suas mentiras. Para termos uma ideia, o mentiroso somatiza a ponto de ter um aumento de seus batimentos cardíacos, apresentando tremores, gagueiras e até suores. Na maioria das vezes, ele tem dificuldade em olhar as pessoas nos olhos. Ou seja, ainda que alguém esteja usando da mentira para proteção, mesmo que não tenha a intenção de causar danos, seu corpo sente um desconforto, pois sabe que está mentindo. Pode parecer incrível, mas o corpo denuncia o mentiroso através de sintomas desagradáveis.

Se fosse bom mentir, por que os sintomas seriam tão desagradáveis? Por que não ficamos confortáveis com a mentira? Claro que estou falando de mentirosos comuns, sem patologia. Falo daqueles que, de certa forma, não costumam mentir e não concordam com a mentira. Nos sentimos mal quando mentimos, quando temos que aumentar ou omitir, mesmo que seja para evitar um sofrimento maior. Tal atitude não produz paz.

Nossos ouvidos e olhos são os que mais têm contato com mentiras. Calcula-se que, no decorrer de um dia normal, uma pessoa pode escutar, ver ou ler duas centenas de mentiras – uma mentira a cada cinco minutos. Mas, só uma pequena porcentagem seria de mentiras que machucam ou ocasionam prejuízo material ou moral aos outros. Males espirituais causam grandes danos às pessoas. E isso nós cristãos sabemos bem. O mundo se acostumou tanto com as mentiras que nem sabe mais o que é verdade. Já aceita pequenas mentiras como inocentes, como parte da personalidade inteligente de uma criança, por exemplo.

E nós cristãos? Será que não fazemos parte desta estatística? Será que somos totalmente verdadeiros, o tempo todo, em todas as situações? Sabemos o que Deus pensa sobre a mentira, mas o que nós pensamos sobre ela está de acordo com o que falamos e praticamos? Como encaramos as mentiras? Como pecado, doença, exageros ou omissão?

FONTE:
Livro: Por que as pessoas mentem – Autora: Marisa Lobo.

Marisa Lobo possui graduação em Psicologia, é pós-graduada em Filosofia de Direitos Humanos e em Saúde Mental e tem habilitação para Magistério Superior.

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