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O descontrole de Moraes e as implicações de seu gesto

O gesto obsceno revela despreparo para o enfrentamento do contraditório

Marisa Lobo - 01/08/2025 10h53

Moraes vai a jogo do Corinthians, sorri, acena e faz gesto obsceno em dia de sanção dos EUA Foto: ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO

O recente episódio envolvendo o ministro Alexandre de Moraes durante um jogo do Corinthians, em que foi vaiado pela torcida e respondeu com um gesto obsceno, ultrapassa os limites de um comportamento individual e lança sérias reflexões sobre o estado institucional da Suprema Corte brasileira.

A cena, amplamente divulgada e comentada, revela um padrão preocupante de descontrole emocional por parte de uma das autoridades máximas do Judiciário, em um momento delicado para a imagem do Brasil no cenário internacional.

A função de um ministro do Supremo Tribunal Federal exige postura equilibrada, autocontrole e representação da harmonia entre os Poderes. O gesto obsceno direcionado à torcida revela despreparo para o enfrentamento do contraditório e uma incapacidade de conviver com a crítica pública — algo essencial em qualquer democracia.

Esse comportamento, vindo de alguém que representa a Justiça brasileira, enfraquece a autoridade moral da instituição e aprofunda o abismo de desconfiança que já separa parte significativa da população do STF.

Esse episódio ganha ainda mais gravidade quando somado a outro fato inédito e constrangedor: Alexandre de Moraes foi recentemente sancionado pelo governo dos Estados Unidos, acusado de atentar contra os direitos civis e as liberdades políticas no Brasil. A sanção o inclui em uma lista que até então abrigava nomes de terroristas internacionais, traficantes e ditadores.

O recado político é direto e severo. Para a diplomacia internacional, trata-se de um alerta de que o Brasil pode estar flertando com práticas autoritárias mascaradas por decisões judiciais.

A implicação dessa sanção é dupla: interna e externa. No plano internacional, o Brasil se vê envergonhado por ter um de seus mais altos magistrados impedido de circular livremente nos Estados Unidos e marcado com o estigma de censura e repressão política.

No plano nacional, isso só reforça a percepção popular de que o STF deixou de ser um tribunal técnico e tornou-se um ator político, movido por interesses ideológicos e disposto a intervir em todas as esferas — inclusive nas redes sociais, imprensa, partidos políticos e até no discurso religioso.

A vaia no estádio é mais do que um protesto esportivo; é o reflexo do desgaste institucional do STF, e do próprio ministro, perante um povo cansado de decisões judiciais que ignoram os princípios constitucionais da liberdade, da presunção de inocência e da divisão entre os Poderes.

A resposta de Moraes à vaia popular foi simbólica: um gesto de desprezo ao povo e ao contraditório. Isso enfraquece a democracia.

O Brasil precisa urgentemente recuperar o equilíbrio institucional, a credibilidade das suas Cortes e o respeito às liberdades democráticas. Quando um ministro da Suprema Corte reage com fúria a uma manifestação popular e é sancionado por uma nação estrangeira por abuso de autoridade, estamos diante de um alerta vermelho: a democracia brasileira está sob teste — e não é o povo que está falhando.

Marisa Lobo atua como psicanalista, é pós-graduada em Psicanálise; Gestão e Mediação de Conflitos; Educação de Gênero e Sexualidade; Filosofia de Direitos Humanos e Saúde Mental; tem também habilitação para magistério superior.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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