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Gravidez, o aborto entre crianças e a erotização infantil: De quem é a culpa, afinal?

Não por acaso, Cristo associou o universo infantil ao Reino dos Céus

Marisa Lobo - 28/06/2022 16h38

Gravidez, o aborto entre crianças e a erotização infantil: De quem é a culpa, afinal? Foto: Pexels/Daniel Reche

Hoje vou abordar um assunto bastante delicado, mas necessário para que possamos entender a complexidade da questão sobre o aborto e a gravidez precoce em crianças. Basicamente, isso envolve uma cultura de valorização aos supostos “direitos sexuais infantis” e à erotização precoce.

Antes de mais nada, precisamos entender que a gravidez precoce não é um problema da atualidade. No passado, algumas culturas – e até hoje existem – viam com normalidade a gestação logo após as primeiras menstruações, uma vez que isso era tido como um sinal de que o corpo da criança/adolescente estava preparado para dar à luz.

Mas, naquela época, tratava-se de outro contexto não apenas moral, como também sociocultural. Até mesmo a noção de infância e adolescência, por exemplo, não era plenamente definida. Passamos a entender melhor esses aspectos do desenvolvimento humano mais recentemente, com a evolução das Ciências Biomédicas e da Psicologia.

A moral judaico-cristã também caracterizou outro importante marco na evolução da forma como passamos a tratar a infância. Não por acaso, Cristo associou o universo infantil ao Reino dos Céus (Mateus 19:4), apontando a inocência como uma característica marcante da fase em que meninos e meninas devem ter suas vidas preservadas e protegidas pelos adultos.

A EROTIZAÇÃO E A CULTURA
No contexto atual, por outro lado, o que temos observado é o desenvolvimento de uma cultura de retrocessos no que diz respeito à erotização de crianças e adolescentes. Se antes havíamos compreendido que não basta ter um corpo preparado para manter uma relação sexual, mas também a mente (maturidade), essa compreensão, agora, parece estar sendo dissolvida.

Isso porque, é justamente o que alguns defensores dos “direitos sexuais da criança” pregam. De forma sutil, eles argumentam que as crianças devem ter cada vez maior autonomia “sobre seus corpos”. Daí, o que temos, na realidade, é uma apologia maliciosa, embora não explicita, à pedofilia.

Lado a isso, a sexualização dos menores tem dado coro a esse discurso de “direitos sexuais infantis”. Isso acontece, por exemplo, sempre que vemos crianças expostas na TV com trajes erotizados, como se fossem adultos em miniatura.

É por isso que se tornou comum assistirmos, agora, crianças se apresentando em shows com danças que simulam atos sexuais, literalmente. Haja vista o exemplo do famoso “pancadão” dos bailes funks cariocas, os quais são, por sinal, ambientes onde adolescentes são incentivadas a dançar sem calcinha, exatamente para manter relações sexuais durante a “música”.

Não pense que isso só acontece no “pancadão”. Sempre que uma dessas cantoras famosas que ganham a vida empinando a bunda nos maiores palcos do mundo, aparecem como celebridades na TV, internet e etc., a mensagem transmitida para a mente de crianças e adolescentes é a da sexualização como objeto de consumo e desejo. Em outras palavras, “Torne-se isso, então você ganhará isso”.

Isso também acontece quando a própria mãe, ou pai, acha “bonitinho” a filha se vestir com roupas de adulto em miniatura, inclusive usando maquiagem e acessórios típicos de uma mulher sexualmente ativa. Com os meninos não é diferente, o que muda é o tom da “brincadeira” e o estilo de vestimenta.

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Feito esse resumo, podemos compreender como o problema da gravidez precoce é parte de uma conjuntura complexa de ordem cultural, familiar e social, visto que a prática sexual termina se tornando uma consequência desse processo; o resultado inevitável.

O aborto, assim, aparece como um agravante, já que a gestação nessa fase da vida ocorre em um momento onde geralmente não há maturidade dos envolvidos, condições econômicas e parental para lidar com o surgimento de um bebê.

O caso recente da menina de 11 anos que abortou o seu filho é um típico exemplo disso. Ela manteve relações com outra criança, um menino de 13 anos. Podemos nos questionar: onde estavam os pais desses dois? Qual foi a responsabilidade da família sobre esse ocorrido? Houve ou não, portanto, negligência no cuidado dos menores?

O fato é que a vida de um inocente foi eliminada! Mataram um bebê de 7 meses, saudável. Uma tragédia dentro de outra. Essa é só uma das consequências de vivermos numa cultura onde a erotização infantil e à apologia aos “direitos sexuais das crianças” existem.

CONCLUSÃO
Finalmente, devemos enxergar a gravidez precoce, bem como o aborto entre menores, como um problema de contexto maior, onde nós, adultos, temos participação ativa na formação de uma sociedade permissivista, conivente e irresponsável no cuidado de crianças e adolescentes.

Devemos combater a narrativa dos “direitos sexuais das crianças” e a erotização precoce. Em vez disso, precisamos promover a infância como um universo de inocência, desenvolvimento e proteção, porque é isto o que ela é.

No mais, deixo aqui o meu repúdio ao Conselho Federal de Psicologia, que emitiu uma nota defendendo o aborto na menina de 11 anos. Este órgão não fala por mim! Como psicóloga, defendo a proteção da mãe e do bebê, pois ambos são vítimas de um contexto trágico, pelo qual só tenho a lamentar e a chorar.

Marisa Lobo possui graduação em Psicologia, é pós-graduada em Filosofia de Direitos Humanos e em Saúde Mental e tem habilitação para Magistério Superior.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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