Carta aberta aos estudantes de Psicologia contra o ativismo de professores em sala de aula

Coisas que um estudante de Psicologia deve saber sobre mim

Marisa Lobo - 04/08/2018 10h23

Para quem acompanha minha trajetória em defesa de questões sociais que considero importantes para a população, como, a luta contra a descriminalização da maconha e a conscientização sobre os perigos da erotização infantil, sabe muito bem quantas batalhas já travei no campo judicial, enfrentando ações movidas por ativistas políticos, especialmente do movimento LGBT, alguns deles utilizando o Sistema Conselho de Psicologia para tentar me prejudicar.

A grande maioria das pessoas que “ouve falar” do meu nome, no entanto, não faz a menor ideia do que realmente defendo, no que acredito e as razões pelas quais acredito. Lamentavelmente, são pessoas que receberam informações distorcidas, incompletas ou mesmo falsas, vindo geralmente de outras que por questões ideológicas, tentam difamar o meu nome, associando o meu trabalho a termos como “cura gay”, “homofobia”, “fundamentalismo” e outras pechas criadas pelo “politicamente correto”.

Desde 2012, quando me posicionei sobre a implementação do que ficou conhecido popularmente como Kit Gay na educação básica, assim como contra o Projeto de Lei conhecido como PL122, também chamado de Lei contra a Homofobia, inúmeros ativistas iniciaram uma campanha em massa contra mim. Desde então, comecei a receber algumas denúncias de estudantes de Psicologia, de que o meu nome estaria sendo citado em sala de aula por alguns maus professores, de forma pejorativa, desenhando a minha figura como alguém intolerante.

COISAS QUE UM ESTUDANTE DE PSICOLOGIA DEVE SABER SOBRE MIM
Recentemente, mais um(a) aluno(a) de Psicologia veio até mim, para denunciar um “professor” ativista que denegriu o meu nome em sala de aula. Não citarei nomes aqui, obviamente, para preservar a imagem do aluno (que é a pessoa mais inocente nessa história), bem como para garantir possíveis medias judiciais em sigilo contra o(a) tal professor(ra), mas compartilho abaixo o testemunho desse aluno(a):

“Sou estudante de Psicologia e estamos falando sobre você na sala de aula. O professor e a maioria dos alunos estão atacando você e as ações praticadas por ti, as quais considero de suma importância para nos livrar das mazelas do marxismo cultural. Obrigado, Marisa Lobo, por seu trabalho”.

O testemunho acima é apenas um, entre vários, que recebo desde 2012. Na maioria, alguns desses professores contam mentiras descaradas. A maior delas é de que eu tive o meu registro profissional cassado. Não é verdade! Eu fui processada várias vezes, mas recorri, inclusive na justiça comum, e no final ganhei em todos os casos, exatamente porque não tiveram como provar que eu violei alguma ética profissional. Em um dos casos tive pacientes homossexuais que depuseram em meu favor, negando qualquer tentativa minha de violação ética. Isso foi como um soco no estômago dos meus adversários.

A verdade é que a maioria desses processos é por eu me posicionar e denunciar abertamente, não só em minhas redes sociais, como na TV, nas rádios e nos locais onde dou palestras, que alguns Conselhos de Psicologia estão tomados por ativistas políticos, que utilizam o cargo público (sim, porque Conselhos Profissionais são órgãos públicos) para impor interesses próprios, o que significa uma violação das leis que regulamentam o órgão. Eles me detestam porque eu digo a verdade e não tenho medo. Porque eu tenho opinião e minhas pesquisas sobre sexualidade, drogas e família não se limitam ao que o Sistema/Conselho determina, o que é muito óbvio, já que a pesquisa acadêmica é livre, faz parte do direito de todo cidadão, conforte garante a Constituição Federal, de exercitar o seu livre raciocínio científico, filosófico, político e de fé.

Outra grande mentira é que utilizo a minha religião para fundamentar minhas posições. Sem dúvida alguma eu tenho minha fé como referência, mas para minha vida pessoal e não para o meu exercício profissional. O que eles, os ativistas detestam, é que eu fale abertamente que sou uma psicóloga e cristã, porque inventaram que o termo psicóloga cristã se refere a uma Psicologia Cristã. Tudo isso é mentira!

Sou conhecida como “psicóloga cristã”, porque além de atuar como psicóloga, atuo muito em igrejas, dando seminários sobre os mais diversos temas que envolvem família, sexualidade, relacionamentos etc. Tudo isso eu já fazia muito antes de ser posta nos holofotes da mídia. Em nenhum momento, como psicóloga, divulguei o meu trabalho associado a uma abordagem cristã, simplesmente porque essa abordagem não é reconhecida no Brasil. Psicóloga cristã é nada mais do que a forma como os cristãos se referem a mim. Ou seja, a forma social como sou conhecida, e não o que pratico como psicóloga.

ESTUDANTES DE PSICOLOGIA – NÃO FIQUEM INTIMIDADOS
O maior receio de um professor ativista, que não sabe separar suas convicções pessoas do ensino que visa, antes de tudo, informar a verdade dos fatos, é que ele seja confrontado e denunciado.

Se você é estudante de Psicologia e entende que eu, Marisa Lobo, sou livre para manifestar minhas opiniões como uma cidadã, assim como fazem todos os outros profissionais sobre os mais diversos assuntos em sua vida privada, fora do ambiente de trabalho, então não fique intimidado em confrontar ou até denunciar cada vez que um(a) professor(ra) fizer ativismo ideológico dentro da sala de aula. Se posicione também, você tem esse direito. Te garanto, por experiência própria, que esse ativista vai pensar duas vezes antes de falar bobagens.

RECOMENDAÇÕES
Minha luta é pela liberdade científica e de expressão. Pela vida e em defesa da verdadeira diversidade. Em um debate científico, ser diverso é ter possibilidade de confrontar, discordar e dizer o que pensa. Se a Psicologia é uma ciência, como entendemos que é, onde está a diversidade quando queremos calar a voz do contraditório? Onde está o respeito e a ética dos profissionais, quando contam mentiras e inventam coisas sobre outros profissionais, utilizando o seu nome para promover o que pensam, especialmente diante de uma platEia cativa, como são os estudantes em uma sala de aula?

Recomendo a você, estudante, que durante sua formação procure saber o que define a ciência, pois infelizmente o que temos visto nas faculdades de psicologia Brasil a fora, nem sempre é o ensino da ciência, mas de interesses partidários, de grupos específicos e de pessoas que não admitem qualquer divergência de pensamento.

Por isso o meu conselho é: seja crítico, busque outras fontes de pesquisa, leia coisas diferentes e não apenas o que é passado para você como verdade absoluta. A postura de ativista é sempre taxativa, autoritária e falsa do que diz respeito à diversidade. Sempre que você se deparar com isso dentro da sala de aula, questione e saiba que não é com um(a) professor(ra) que você está lidando, mas com um militante desonesto e eticamente reprovável.

Marisa Lobo possui graduação em Psicologia, é pós-graduada em Filosofia de Direitos Humanos e em Saúde Mental e tem habilitação para Magistério Superior.