Amar é também impor limites – parte 2

Dicas para que pais possam educar sem medo, sem culpa e sem dúvidas

Marisa Lobo - 08/06/2019 12h00

Em minha última coluna, iniciei o tema sobre LIMITES. Trago a abordagem extraída de meu último livro com mesmo. Meu enfoque é em cima do comportamento dos pais que é repercutido no comportamento de seus filhos. Ou seja, muitas famílias estão sofrendo por falta de limites em casa. Analisei vários pontos que considero fundamentais para que as pessoas percebam como podem estar errando e como podem acertar.

Pais que amam seus filhos, com certeza, querem acertar na educação. Sendo assim, impor limites deve ser uma estratégia positiva para a formação e para o bem de todos, incluindo o futuro de um filho na sociedade. Desta vez, relato o restante das sugestões. O início desta abordagem você pode encontrar em minha coluna da semana passada Amar é também impor limites.

7 – Fale com segurança

Um dos maiores erros que os pais cometem, é ordenar, explicar, dar “broncas” rindo, sem olhar nos olhos, não prestando atenção na criança e fazendo outra coisa. Ou seja, para chamar atenção para as regras, para aquilo que estou tentando impor à criança, eu tenho de olhar nos olhos, dar a mesma atenção que busco nas crianças nas horas das regras, dos limites. Se não for assim, elas acabam achando que aquilo não é tão importante, porque você nem se dispôs a sentar e explicar.

8 – Pais em discordância, filhos manipuladores

Pais que não se entendem na hora da educação de seus filhos geram confusão mental e criam manipuladores. Essa criança confusa vai tentar sempre estar no lado daquele que ela acredita que a defenda, ou de quem ela pode tirar algum proveito. Nesta hora, clareza, segurança e paciência fazem qualquer aviso ficar bem dito e sem nenhuma dúvida. Os pais devem conversar entre si, e um jamais desautorizar o outro.

9 – Peça somente uma vez, mas explique sempre os porquês

Quando for falar algo para seu filho, chame para um canto e explique de forma clara e segura. Se ele não obedecer, dependendo da idade, se ainda for muito pequeno, fale, explique, até que o seu ensinamento apareça no seu comportamento. Porém, se já for capaz de entender, sabe muito bem o que faz, não precisa ficar falando dez vezes a mesma coisa, ou gritando como se ele não estivesse ouvindo. Sim, ele escutou. Só se ele estiver entretido com alguma coisa, há a necessidade de pedir para parar e prestar atenção. Não grite, não discuta na frente dos outros, senão ele entenderá como desrespeito e ficará envergonhado.

10 – Pais unidos sempre

Ainda que os pais estejam separados, é importante terem um diálogo e uma resposta igual para todas as coisas. Se os pais moram juntos, ainda mais. A união dos pais promove, no entendimento da criança, respeito mútuo, e evitará manipulação da mesma. O que não pode acontecer é um afirmar uma coisa e outro dizer outra. Firmeza nas palavras e atitudes sempre.

11 – Faça, mas se precisar,peça ajuda

O importante é acreditar na sua capacidade de educar. Acredite em você, mesmo com erros é você o escolhido, a escolhida para cuidar dessa criança, seja pela biologia ou pelo coração ou até mesmo pela necessidade familiar. Você tem este poder. Faça a sua parte, cumpra a sua responsabilidade, que é seu dever e seu direito. As crianças precisam respeitar seus pais, respeitar as pessoas, a vida, para serem respeitadas. Se isso não acontecer agora, mais difícil vai ser na adolescência. Se você tiver dificuldades, não hesite em pedir ajuda a uma amiga, um terapeuta, um líder de sua igreja ou a um professor.

Participe de cursos, se precisar, leia livros sobre assunto, mas nunca esqueça que você é capaz. Esta responsabilidade é sua. Impor limites não faz de você um péssimo pai ou mãe, muito pelo contrário, exercer seu papel de mostrar o caminho demonstra sua preocupação com o seu filho e com o futuro dele.

12 – Não tenha culpa

O sentimento de culpa pode tomar conta da gente e nos fazer sentir péssimos pais, mas não é para ser assim.• A criança precisa de limite, regras, e a responsabilidade é nossa.

  • Não tenha medo, seu filho não deixará de amar você.
  • As crianças necessitam de um freio em suas atitudes.
  • A criança precisa sentir que você se importa com o que ela faz, como e por que faz.
  • Muitas vezes, pensamos que o sinônimo de limite é bronca, mas não é.

Não tenha medo, não se sinta culpada(o) de chamar a atenção dos seus filhos. Eles não vão deixar de amar você. O maior ato de amor é colocar limites, é ensiná-los a viverem neste mundo, que tem sido tão confuso e, às vezes, tão cruel. Nossos filhos não serão poupados se não tiverem inteligência emocional, limites, repertório de vida. E esse repertório é dado por você. É fundamental colocar limites, pois isso é um ato de amor.

Pense sempre que essa educação com responsabilidade que você está dando hoje impactará a vida futura dos seus filhos. Às vezes, precisamos punir, de alguma forma, nossas crianças e adolescentes, mas somente quando as situações são extremas, por isso temos de somar todos os esforços com amor para educar, pois educar é não punir, e a vida pune uma pessoa não educada, isto é fato. Entendemos que, além da punição, existe uma maneira bem mais eficaz que é o seu modelo.

13 – Educar pelo modelo positivo é sempre o mais eficiente

O modelo é sempre a melhor saída. Temos de mostrar a maneira certa de agir através de exemplos. Exemplos são transformadores. As crianças estão ao nosso lado, copiando, internalizando e aprendendo com tudo que estamos fazendo. Não adianta falar e fazer outra coisa, ela vai aprender justamente essa incoerência essa “falsidade” exatamente com quem tem o dever de ensiná-la sobre ética e valores. O modelo incoerente vai justamente modelar o comportamento que se deseja extinguir nos filhos. É muito sério isso. Enquanto são pequenas, as crianças aprendem tudo o que sabem com os pais, portanto, se elas não têm limites, saiba que a responsabilidade não é delas, é sua.

14 – Somos pais, não amigos de nossos filhos

Nós podemos e devemos ter atitudes amigáveis com nossos filhos, mas precisamos ter claro que não somos seus amigos no sentido de uma relação linear. Na relação entre pais e filhos deve haver autoridade sim, mas isso não significa que você precisa ser autoritário. A melhor solução é jogar limpo com seu filho, mostrar os limites e sempre explicar o porquê de não ter gostado de alguma atitude dele. Assim, as crianças podem refletir e, de fato, aprender com seus erros. O caráter do adulto que nossos filhos terão, começa a se formar agora. Nossa função é ajudá-los a ter uma noção clara de si mesmos, pois é na primeira infância que a criança vai se fortalecendo e se tornando um adulto mais seguro e resiliente para suportar os desafios da vida.

“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.” (1 Timóteo 5:8)

Fonte: https:https://www.eusemfronteiras.com.br//paisefilhos.uol.com.br

 

Marisa Lobo possui graduação em Psicologia, é pós-graduada em Filosofia de Direitos Humanos e em Saúde Mental e tem habilitação para Magistério Superior.

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