A resolução do Conselho de Medicina é um retrocesso na luta em proteção à infância

Aos 16 anos será possível tomar hormônios de bloqueio de puberdade

Marisa Lobo - 11/01/2020 10h13

Como psicóloga, não concordo com o Conselho de Medicina que diminuiu para 18 anos a idade mínima para cirurgia de transição de gênero. Ao mesmo tempo que ele VEDA qualquer tipo de intervenção antes do início da puberdade, a prescrição de hormônios por exemplo, diminui a idade para cirurgias de 21 anos para 18 anos. É válido lembrar que a adolescência termina somente aos 23 anos.

O Conselho também fala em equipe multiprofissionais, mas exclui o psicólogo (até entendo, pois a psicologia atual é ativista, anticientífica e não tem sido levada a sério, já que está contaminada pela política ideológica e tem usado a questão de gênero como bandeira, perdendo a neutralidade).

A norma veda qualquer tipo de intervenção antes do início da puberdade, mas, autoriza a partir de 16 anos hormônios cruzados (que é comprovadamente causador de inúmeras doenças). Isso, no meu entendimento, é igualmente um risco, já que autorizam bloquear a puberdade como se fosse uma doença, para que os hormônios cruzados funcionem.

Sei que tentaram regulamentar o que já existe na clandestinidade, mas creio que pioraram a situação. Definir como 16 anos para tomar hormônios e 18 anos para fazer cirurgias de transição é prematuro, e agora regulamentado.

Lembro ainda que as mudanças psicológicas e os conflitos por quais passam os adolescentes, podem fazê-los mudar de ideias constantemente. Nada é definitivo, ainda mais para um adolescente.

Não vejo as novas regras como avanço, mas como um retrocesso na luta em defesa da infância. Espero que o governo Bolsonaro não acate e não libere estes procedimentos, pois o elegemos para lutar contra essa desconstrução da infância e da adolescência.

Marisa Lobo possui graduação em Psicologia, é pós-graduada em Filosofia de Direitos Humanos e em Saúde Mental e tem habilitação para Magistério Superior.

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