Leia também:
X Popularidade de aluguel

A mídia já decidiu: Magno Malta é culpado?

Quando jornalistas trocam responsabilidade por militância, o tribunal midiático passa a valer mais que provas, perícias e investigação

Marisa Lobo - 06/05/2026 11h11

Senador Magno Malta, na tribuna, falando sobre o ocorrido no hospital Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Em tempos em que manchetes condenam antes mesmo de qualquer investigação séria, o caso envolvendo o senador Magno Malta revela algo perigoso: a facilidade com que a mídia transforma acusações em sentenças públicas.

Uma denúncia grave foi feita por uma profissional da área de radiologia em um hospital de Brasília. Porém, até o momento, nenhuma prova concreta de agressão foi apresentada. Ainda assim, parte da imprensa correu para construir uma narrativa pronta, como se a culpa já estivesse determinada antes mesmo dos fatos serem esclarecidos.

O próprio senador declarou publicamente que coloca seu mandato à disposição caso apareça qualquer prova de agressão. Isso não é postura de quem foge de responsabilidade, mas de quem afirma confiar na verdade dos acontecimentos.

É preciso lembrar o contexto que muitos preferem ignorar. Magno Malta estava hospitalizado, debilitado fisicamente, com dificuldades severas de locomoção, quase sem conseguir andar, e teria passado por um procedimento de tomografia em que um contraste foi aplicado em uma veia que estava comprometida.

Segundo relatos e imagens divulgadas, ele reagiu em desespero devido à dor intensa no braço enquanto estava dentro da máquina. Qualquer pessoa submetida a uma dor extrema, em estado de fragilidade e tensão hospitalar, pode reagir emocionalmente e discutir. Isso está muito distante de provar uma agressão física.

Mas parece que, para determinados setores da mídia, basta o nome ser Magno Malta para que a presunção de inocência desapareça. E não é difícil perceber o motivo. Trata-se de um senador conhecido por posições firmes em defesa de pautas conservadoras, valores cristãos e enfrentamentos ideológicos que incomodam muita gente.

A pergunta que fica é: se fosse outro parlamentar, com posições alinhadas ao pensamento dominante de certos veículos, a repercussão teria sido a mesma? Ou haveria cautela, investigação e o famoso “vamos ouvir os dois lados”?

Vivemos um tempo perigoso em que reputações podem ser destruídas em poucas horas por acusações ainda não comprovadas. E isso deveria preocupar qualquer pessoa, independentemente de ideologia política. Porque hoje é Magno Malta. Amanhã pode ser qualquer cidadão comum.

A justiça existe para apurar fatos. A imprensa deveria existir para informar, não para condenar previamente. Quando jornalistas trocam a responsabilidade pela militância, o tribunal midiático passa a valer mais que provas, perícias e investigação.

Defender a presunção de inocência não é defender impunidade. É defender civilização, equilíbrio e justiça.

Marisa Lobo atua como psicanalista, é pós-graduada em Psicanálise; Gestão e Mediação de Conflitos; Educação de Gênero e Sexualidade; Filosofia de Direitos Humanos e Saúde Mental; tem também habilitação para magistério superior.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

Leia também1 Profissional que acusou Malta de agredi-la é afastada do trabalho
2 Senador Magno Malta acredita ter sofrido ataque espiritual
3 Apóstolo Estevam Hernandes defende Magno Malta; assista
4 Malta pede investigação criminal e nega agressão em hospital

Siga-nos nas nossas redes!
WhatsApp
Entre e receba as notícias do dia
Entrar no Canal
Telegram Entre e receba as notícias do dia Entrar no Grupo
O autor da mensagem, e não o Pleno.News, é o responsável pelo comentário.