A mídia já decidiu: Magno Malta é culpado?
Quando jornalistas trocam responsabilidade por militância, o tribunal midiático passa a valer mais que provas, perícias e investigação
Marisa Lobo - 06/05/2026 11h11

Em tempos em que manchetes condenam antes mesmo de qualquer investigação séria, o caso envolvendo o senador Magno Malta revela algo perigoso: a facilidade com que a mídia transforma acusações em sentenças públicas.
Uma denúncia grave foi feita por uma profissional da área de radiologia em um hospital de Brasília. Porém, até o momento, nenhuma prova concreta de agressão foi apresentada. Ainda assim, parte da imprensa correu para construir uma narrativa pronta, como se a culpa já estivesse determinada antes mesmo dos fatos serem esclarecidos.
O próprio senador declarou publicamente que coloca seu mandato à disposição caso apareça qualquer prova de agressão. Isso não é postura de quem foge de responsabilidade, mas de quem afirma confiar na verdade dos acontecimentos.
É preciso lembrar o contexto que muitos preferem ignorar. Magno Malta estava hospitalizado, debilitado fisicamente, com dificuldades severas de locomoção, quase sem conseguir andar, e teria passado por um procedimento de tomografia em que um contraste foi aplicado em uma veia que estava comprometida.
Segundo relatos e imagens divulgadas, ele reagiu em desespero devido à dor intensa no braço enquanto estava dentro da máquina. Qualquer pessoa submetida a uma dor extrema, em estado de fragilidade e tensão hospitalar, pode reagir emocionalmente e discutir. Isso está muito distante de provar uma agressão física.
Mas parece que, para determinados setores da mídia, basta o nome ser Magno Malta para que a presunção de inocência desapareça. E não é difícil perceber o motivo. Trata-se de um senador conhecido por posições firmes em defesa de pautas conservadoras, valores cristãos e enfrentamentos ideológicos que incomodam muita gente.
A pergunta que fica é: se fosse outro parlamentar, com posições alinhadas ao pensamento dominante de certos veículos, a repercussão teria sido a mesma? Ou haveria cautela, investigação e o famoso “vamos ouvir os dois lados”?
Vivemos um tempo perigoso em que reputações podem ser destruídas em poucas horas por acusações ainda não comprovadas. E isso deveria preocupar qualquer pessoa, independentemente de ideologia política. Porque hoje é Magno Malta. Amanhã pode ser qualquer cidadão comum.
A justiça existe para apurar fatos. A imprensa deveria existir para informar, não para condenar previamente. Quando jornalistas trocam a responsabilidade pela militância, o tribunal midiático passa a valer mais que provas, perícias e investigação.
Defender a presunção de inocência não é defender impunidade. É defender civilização, equilíbrio e justiça.
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Marisa Lobo atua como psicanalista, é pós-graduada em Psicanálise; Gestão e Mediação de Conflitos; Educação de Gênero e Sexualidade; Filosofia de Direitos Humanos e Saúde Mental; tem também habilitação para magistério superior. |
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