A hipocrisia feminista e a circuncisão feminina na África

Enquanto feministas querem assassinar bebês no útero, meninas sofrem mutilação genital

Marisa Lobo - 22/09/2018 10h22

A luta de alguns grupos que se apresentam como “defensores das mulheres” chega a ser patética diante de certos contextos. Vemos o quanto a população é manipulada por interesses ideológicos, por exemplo, do movimento feminista, quando questões absurdamente gritantes que acontecem em várias partes do mundo não recebem a devida atenção, repúdio e combate como deveriam, simplesmente porque são frutos de uma cultura religiosa inserida na lista do “politicamente correto”.

Esta semana a agência de notícias espanhola EFE noticiou a internação hospitalar de 60 crianças, meninas de 5 a 7 anos de idade vítimas de mutilação genital em Burkina Faso, na África. Todas elas deram entrada no hospital com hemorragias e infecções, correndo risco de vida. Essa prática horrorosa existe a centenas de anos em pelo menos 30 países, já tendo vitimado cerca de 200 milhões de meninas, segundo um relatório divulgado pela Unicef em fevereiro de 2016.

Na maioria desses países a cultura islâmica é majoritária, influenciando os costumes da população no tratamento das mulheres. No Egito, por exemplo, apesar de a prática ser proibida por lei, o percentual chega a 91%, segundo um levantamento da ONU em 2008, divulgado pelo jornal El Pais em 2014. Apesar de alguns discordarem da associação da prática com a religião islâmica, a mutilação é citada nos Hadiths, livros que falam sobre algumas tradições de Maomé e é orientada no Tratado da Lei Islâmica, ou The Reliance of the Traveller, uma espécie de manual de jurisprudência muçulmana, como podemos observar no trecho abaixo:

“e4.3: Circuncisão é obrigatória (para cada homem e mulher) pela remoção do pedaço da pele da glande do homem, mas a circuncisão da mulher se dá pela remoção do clítoris (isto é chamado Hufaad)”.

Ainda segundo o El Pais, Attia Abdel Mahmud, professor de jurisprudência islâmica da Universidade Al Azhar, a maior autoridade religiosa do Egito, confirmou que apesar de não ser uma obrigação, a mutilação genital feminina é uma tradição islâmica e a referência de que a prática foi autorizada por Maomé em dado episódio é verdadeira. “A circuncisão masculina é uma obrigação no Islã. Já a feminina não é, mas é reconhecida como uma prática tradicional. O dito em que o profeta autoriza uma mulher a praticá-la foi autenticado”, disse o professor ao jornal na matéria que teve como título Filhas do Nilo, a Circuncisão É uma Tradição Proibida.

DIREITOS HUMANOS E HIPOCRISIA FEMINISTA
Apesar dos esforços de algumas organizações para acabar com essa prática, ela continua presente até hoje em diversos países. A proibição por lei não acabou com a mutilação genital feminina e a possibilidade de que nações se tornem oficialmente regulamentadas por legislações religiosas, como já existe, preocupa muito, porque sinaliza a continuidade da “tradição”.

Defendo que algumas práticas culturais devam permanecer preservadas, porque são heranças de um povo, incluindo suas crenças religiosas. No entanto, nem toda cultura é boa para a vida humana, pois trazem sequelas físicas irreparáveis, psicológicas e espirituais, e isso também vale para a religião. Nesses casos, onde a vida humana está em risco, precisamos intervir e abandonar qualquer tipo de tradição que agride, deprecia e legitima a violência contra o ser humano, especialmente contra nós, mulheres.

Então fico me perguntando onde está a indignação do movimento feminista com uma notícia como essa, da agência EFE? Onde estão as feministas despeitadas que invadem templos cristãos para debochar da fé cristã, mas não manifestam um “pio” contra a atrocidade da mutilação genital ainda presente na cultura islâmica, vitimando milhares de meninas todos os anos? Covardes, é o que são! A verdade é que essas falsas defensoras das mulheres, alienadas por uma ideologia hipócrita e antiDeus, estão mais interessadas em assassinar bebês no próprio útero do que lutar em favor da verdadeira violência e discriminação contra a mulher.

A contradição do movimento feminista é tão absurda que, nesse momento, está sendo comprovada por uma campanha que está manipulando parte da população contra um candidato que propõe a castração química de estupradores. Ou seja, contra alguém que defende uma punição bem mais rigorosa para o estuprador, visando combater justamente a tal “cultura do estupro”, tão alardeada por elas mesmas, as feministas. Onde está a coerência nisso?

Só posso lamentar e dizer que mulheres que realmente se preocupam com mulheres não são feministas. São femininas! E, para isso, nós não precisamos de aliciadoras ideológicas, que em sua maioria não passam de pessoas mal amadas e frustradas com a própria sexualidade. Nós lutamos em favor das mulheres porque reconhecemos que antes de tudo somos seres humanos, iguais em direitos, deveres e importância, de modo que a nossa voz servirá para denunciar absurdos que aconteçam não apenas no Brasil, mas em qualquer parte do mundo, custe o que custar.

Marisa Lobo possui graduação em Psicologia, é pós-graduada em Filosofia de Direitos Humanos e em Saúde Mental e tem habilitação para Magistério Superior.

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