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A ‘espetacularização da morte’ tem construído uma sociedade indiferente à dor

É triste tratar de um assunto como esse partindo de casos reais, e não teóricos

Marisa Lobo - 09/11/2021 17h40

Marília Mendonça morreu na última sexta-feira Foto: Gabi de Morais/Agnew

A recente tragédia ocorrida com a cantora Marília Mendonça, que faleceu aos 26 anos num acidente aéreo, quando viajava para realizar mais uma apresentação de sua carreira, sem dúvida comoveu boa parte do Brasil, mas também acabou sendo um acontecimento que serviu para mostrar o quanto a sociedade atual tem banalizado o sofrimento humano.

Escrevo isso com pesar, pois é triste tratar de um assunto como esse partindo de casos reais, e não teóricos.

Assim que a notícia da morte de Marília repercutiu, em poucas horas vimos o jornal Folha de São Paulo publicar, em uma coluna de opinião, um artigo deplorável sobre a cantora.

No texto, o colunista da Folha disse que Marília “nunca foi uma excelente cantora” e que o “seu visual também não era dos mais atraentes ao mercado da música sertaneja”. Em outra parte do artigo, ele afirmou que a artista “era gordinha e brigava com a balança. Mais recentemente, durante a quarentena, vinha fazendo um regime radical”, de modo que “tornava-se também bela para o mercado.”

A matéria publicada no sábado, um dia após a morte de Marília, foi amplamente criticada, pois, afinal, qual é a relevância de críticas tão grotescas e observações chulas sobre a aparência da cantora, horas após o seu trágico falecimento, enquanto amigos, familiares e fãs ainda choravam pela partida da artista?

Acontece que, diferente do que muitos podem imaginar, uma publicação como essa, em um jornal da envergadura da Folha de S. Paulo, não é por caso. O filtro ali é enorme. O interesse de querer lucrar com a polemização criada pelas reações negativas ao texto, provavelmente prevista, é o que pode explicar a existência desse tipo de conteúdo. Foi o que chamei de “espetacularização da morte”, no título deste artigo.

A espetacularização da morte é o que alguns veículos de mídia são capazes de fazer para se autopromover. Foi, e ainda é, o que emissoras “globais” de TV fizeram durante toda a pandemia, com relatórios fúnebres massivos sobre o número de mortos pelo coronavírus, divulgados de manhã, de tarde e de noite.

O efeito que esse tipo de marketing macabro produz é a indiferença humana em relação ao sofrimento alheio. Assim, passamos a ver pessoas como estatísticas, e a dor de quem perde um ente querido, apenas como um detalhe passageiro. Explorar a morte, em si, a tragédia e o caos, como recursos de propaganda, é o que parece estar em primeiro plano, e não a comoção que devemos sentir diante dessas situações.

Encerro dizendo que, para combatermos a espetacularização da morte, devemos nos voltar para o real sentido da vida – que está em Deus -, pois só por meio do amor ao próximo podemos compreender o que falar e como reagir diante da dor, visto que ninguém mais, além de Jesus, pôde ensinar com perfeição essas lições.

É isso o que desejo e deixo como um abraço de consolo e esperança para os familiares da jovem Marília Mendonça, pois estou certa de que Deus já está guardando os seus corações!

Marisa Lobo possui graduação em Psicologia, é pós-graduada em Filosofia de Direitos Humanos e em Saúde Mental e tem habilitação para Magistério Superior.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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