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Vivemos em um estado de exceção, e temos uma Constituição desrespeitada

Não posso me calar diante do escárnio à nossa Nação

Marco Feliciano - 05/01/2024 13h44

Exemplar da Constituição de 1988 Foto: Beto Barata/PR

Nesta quinta-feira (4), divulguei um vídeo demonstrando minha indignação com o evento que ocorrerá na próxima segunda (8). Está programado um ato denominado Democracia Inabalada, em “comemoração aos atos do 8 de janeiro do ano passado que culminou com a destruição de patrimônio público e a prisão de centenas de patriotas inocentes; como, senhorinhas e crianças que portavam apenas Bíblias Sagradas, bandeiras do Brasil nas mãos, sem nenhuma arma”, mas é denominado como o dia que se tentou dar um golpe de Estado.

O simbolismo do evento, dessa “democracia inabalada”, será manifestado pela entrega de uma tapeçaria do artista Burle Marx restaurada após os atos de vandalismo, juntamente à edição da Constituição. No entanto, omitem o fato de que o agressor que destruiu um relógio centenário, presente do rei de Portugal ao Brasil, tem passagens por tráfico de drogas. Também escondem que esse homem veio a Brasília em seu carro e não tinha ligação nenhuma com os acampados. Então, fica no ar a pergunta que não quer calar: “Quem o financiou?”.

Sendo assim, espero, deste ato, espetáculos de narrativas com discursos de conotação maldosa, atribuindo intenções golpistas aos manifestantes desarmados e sem apoio de força armada; o que torna, claro, o crime impossível, ou seja, em total condição de extinção de punibilidade.

Porém, prevejo que, neste espetáculo de pirotecnia marxista, seus áulicos omitam a trágica morte do preso político com graves comorbidades Cleriston Pereira da Cunha. E também olvidem o abandono das famílias das centenas de presos sem condenação, com prisões preventivas que extrapolam os prazos legais previstos em lei.

Agora, se nesse evento, não fizerem moção aos presos sem individualização de conduta, com prisões sem culpa, sem saberem de que são acusados, tudo terá sido em vão. Até porque, são verdadeiros patriotas pacíficos que foram vítimas de maquinações atrozes, das quais, naquele fatídico dia, foram convencidos de que ao subirem nos ônibus que lhes foram disponibilizados, iriam para suas casas. Mas foram enganados e levados para o cárcere.

Veja, os organizadores desse mega evento se preocupam com a restauração de uma tapeçaria, de um exemplar da Constituição; mas se esquecem de restaurar a dignidade de patriotas brasileiros, que tiveram meses de liberdade tolhida,. E por isso, lares foram destruídos, vínculos familiares sofreram perdas irreversíveis e infelizmente houve uma morte.

Finalizo alertando que estamos em estado de exceção, com uma Constituição desrespeitada, e rogando a Deus que continue a abençoar o nosso país; para que consigamos o retorno à normalidade constitucional, com a paz que Jesus nos deixou: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27).

Marco Feliciano é pastor e está em seu quarto mandato consecutivo como deputado federal pelo Estado de São Paulo. Ele também é escritor, cantor e presidente da Assembleia de Deus Ministério Catedral do Avivamento.

* Este texto reflete a opinião do autor e não, necessariamente, a do Pleno.News.

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