Carla Zambelli e a liberdade de expressão relativa
Para completar o carrossel jurídico, o mesmo ministro que bloqueou as redes de Carla agora decide liberá-las
Magno Malta - 26/09/2025 12h33

O ministro Alexandre de Moraes decidiu liberar as redes sociais da deputada licenciada Carla Zambelli, mas manteve a imposição de multas para publicações que considere “de ódio”. A contradição é evidente: Zambelli permanece presa em Roma enquanto, paradoxalmente, suas redes estão liberadas no Brasil.
Esse episódio não é isolado, faz parte de um enredo maior. As denúncias do ex-assessor de Moraes, Eduardo Tagliaferro, revelaram a existência de um gabinete informal de monitoramento em que opositores eram vigiados de forma sistemática, e Carla estava entre os alvos. Nesse contexto, sua prisão não é exceção, mas engrenagem de uma máquina de perseguição política.
Nesta mesma semana, curiosamente, o próprio Moraes encaminhou à Procuradoria-Geral da República o parecer da Polícia Federal que concluiu não haver tentativa de Carla em coagir o Supremo Tribunal Federal. Ou seja, enquanto a PF não encontra crime, a deputada continua encarcerada fora do país.
Diante do que foi colocado, estive na Itália ao lado dos senadores Eduardo Girão, Flávio Bolsonaro e da senadora Damares Alves, numa missão em defesa da liberdade de Carla. Nossa presença não se resumiu a um gesto de solidariedade, embora levar-lhe uma palavra de esperança fosse indispensável. Dialogamos com autoridades italianas para pedir que a deputada responda em liberdade e não seja deportada.
A agenda incluiu a participação em um evento do partido Lega e a reunião com o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini. Com ele, recordei o caso Cesare Battisti, terrorista condenado na Itália, protegido durante anos pelos governos petistas e entregue à Justiça italiana apenas no governo Bolsonaro.
Inclusive, o advogado desse terrorista foi Barroso, atualmente ministro do STF. O paralelo foi inevitável: enquanto a esquerda acolhe criminosos, conservadores são tratados como inimigos do Estado.
E para completar o carrossel jurídico, o mesmo ministro que bloqueou as redes de Carla agora decide liberá-las. Ontem censurava, hoje libera, sempre sob o manto de uma “legalidade” moldada a conveniências momentâneas.
A pergunta é inevitável: até quando o povo aceitará esse faz de conta?
Voltei da Itália com a convicção de que a batalha de Carla Zambelli não é apenas dela. É a luta de todos os brasileiros que se recusam a aceitar a censura como regra e a perseguição como normalidade.
|
Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil. |
Leia também1 Moraes retira bloqueio das redes sociais de Carla Zambelli
2 Documentário crítico a Moraes, The Fake Judge estreia segunda
3 Tagliaferro: "Moraes montou mutirão de perseguição à direita"
4 Carla Zambelli: “Em pouco tempo vou estar solta"
5 Senadores dizem temer por segurança de Zambelli na prisão



















