Anistia não é só uma luta da direita, é um dever histórico
Essa luta não é apenas política. É a esperança de vida
Magno Malta - 19/09/2025 11h57

Não pretendo aqui discorrer sobre as teorias políticas que fundamentam a direita conservadora, embora haja vasta literatura que demonstre seus pilares. Prefiro me ater a um ponto mais humano: ser conservador, hoje, é incomodar.
Incomodar aqueles que ainda tentam convencer multidões de que o comunismo é a solução, mesmo quando a história insiste em mostrar, como lembrou Hannah Arendt ao analisar regimes totalitários, que a promessa de igualdade, muitas vezes, desemboca na supressão da liberdade.
Digo isso porque há um movimento mundial para extinguir a direita conservadora. A morte de Charlie Kirk, uma das maiores lideranças conservadoras cristãs dos Estados Unidos, é uma prova disso. O assassinato não foi apenas o silenciamento de um homem, mas de um símbolo. De alguém que, concordemos ou não com todas as suas ideias, defendia a democracia, a família e a fé.
No mesmo período, no Nepal, jovens lideraram uma onda de manifestações que varreu um regime ditatorial. Esses dois fatos, em polos opostos do mundo, me fizeram refletir sobre a panela de pressão prestes a explodir. Em cada continente, vozes estão sendo caladas, direitos comprimidos e sociedades testadas em sua resiliência.
E é aqui que entro no ponto que tem inflamado nossas discussões nacionais: a anistia. A anistia ampla, geral e irrestrita que defendemos tanto, parece, para alguns, uma utopia.
Mas por que incomoda tanto perdoar? Por que tanto medo de devolver a liberdade a inocentes arrastados para uma trama, rotulados de “golpistas” para justificar uma perseguição política?
Sinto que vivemos em um “universo paralelo”, uma distopia em que a eliminação do adversário se tornou método. Não me cansarei de falar isso. E dentro de uma lógica na qual não vivemos mais, inocentes nem precisariam de anistia.
Nesta semana, celebramos um passo importante: a Câmara dos Deputados aprovou a urgência para pautar a anistia.
Mas a comemoração logo deu lugar à incerteza: Paulinho da Força foi designado relator. Para piorar, vi nos noticiários Temer, Aécio e Paulinho debatendo a anistia… Pergunto a mim mesmo: qual anistia? Porque a que defendemos não é essa.
O que esse grupo coloca em debate, na prática, é a dosimetria de penas. Um cálculo frio, que transforma a perseguição em moeda de troca.
E insisto: punir inocentes não pacifica o país. Tentar silenciar Jair Bolsonaro, maior liderança da direita brasileira, não trará estabilidade. Pelo contrário, aprofundará o ressentimento, ampliará a polarização e corroerá ainda mais a confiança nas instituições.
Por isso, quando digo “Anistia já”, não é um slogan vazio. É uma causa. É a memória de Clezão, que morreu e precisa ser lembrado como herói. É a dor de idosos, doentes, mães e pais tirados de suas casas e tratados como criminosos. É o caso da Débora do Batom, transformada em bode expiatório nacional. É, sim, a defesa de Jair Messias Bolsonaro, porque a tentativa de apagá-lo do mapa político é também a iniciativa de dissipar milhões de brasileiros que nele se reconhecem.
Essa luta não é apenas política. É a esperança de vida para quem resiste na espera de ser livre em meio a tantas injustiças.
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Magno Malta é senador da República. Foi eleito por duas vezes o melhor senador do Brasil. |
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