Natal que faz mal? Ano Novo sem renovo?

É o paganismo que deve temer o cristianismo, e não o contrário!

Luiz Sayão - 20/12/2018 12h24


As festas de final de ano estão aí! É só correria! Muitas vezes, uma loucura! Quando chegamos nessa época de Natal e Ano Novo, apesar da aparente alegria social, muitos cristãos e descrentes perguntam: Afinal, o que é o Natal? Será que consumismo, árvores reluzentes, bonecos de Papai Noel e discursos pela “paz mundial” de fato têm relação com o nascimento de Cristo? Todo cristão amadurecido deve saber explicar a razão de todos os seus atos. Parece-me que muita gente tem se recusado a pensar sobre o assunto. A pressão é tão grande que não são poucos os que preferem entrar na onda frenética de consumo e de manutenção de tradições sem nenhuma reflexão.

Por outro lado, há um outro grupo de cristãos que fica literalmente apavorado diante do simbolismo pagão por trás de muitas tradições natalinas. Muitos estranham o forte apelo de união religiosa mundial e superficial, bem como o perfil comercial desmedido desse momento. Como agir diante dessa situação? Qual é a postura aconselhada para um cristão? Fugir e tratar as festas como celebrações que contaminam? Imitar o comportamento geral da população? Não parece que o Natal faz mal e que entramos num Ano Novo sem renovo? Ficamos entre a apostasia e a celebração da fé.

Uma avaliação refletida sobre a questão deve levar-nos a uma outra postura. Em primeiro lugar, devemos afirmar que todo cristão deve examinar suas práticas e ver se elas fazem sentido e se agradam a Deus. Será que seria aceitável mentir para os filhos e ensiná-los sobre a existência de um Papai Noel? É claro que não. Devemos, com firmeza, repudiar toda tradição essencialmente falsa e que não tem base bíblica.

Em segundo lugar, precisamos reconhecer que não é sábio isolar-se da sociedade em nome de uma pretensa purificação. Isso exigiria que saíssemos do mundo (I Co 5:10). Quando lemos as Escrituras, vemos que os apóstolos e os primeiros cristãos tinham muito menos medo de “contaminação” do que alguns cristãos de hoje. Jesus não teve receio de aproximar-se de pessoas impuras como prostitutas e cobradores de impostos desonestos (Lc 7:19) e de participar de festas alegres de sua época (Jo:2). Paulo entrava em templos pagãos (At 17:18-19), citava poetas gentios para evangelizar (At 17:28) e fez de uma escola a base de sua pregação em Éfeso (At 19:9). Portanto há uma grande diferença entre “comemorar” o Natal e o Ano Novo no espírito desse mundo, e usar essas datas ligadas à cristandade para glorificar a Deus.

Além disso, é conhecido de todos que o Natal, data originalmente pagã, cedeu espaço para a força da fé cristã na história do ocidente. Na verdade, seria muito bom se todas as datas fossem também “santamente subvertidas” pelo cristianismo bíblico. Em vez de fugir do mundo e “condenar” os “impuros”, deveríamos transformar o “carnaval”, “finados”, etc., em datas de forte expressão bíblica. É o paganismo que deve temer o cristianismo, e não o contrário! Portanto, além de celebrar a encarnação de Cristo e de comemorar a vinda do Salvador, devemos fazer um grande esforço de proclamar as boas novas do Evangelho no Natal. Precisamos, de modo urgente e sábio, aproveitar essa grande oportunidade.

Em nenhuma outra época do ano as pessoas se despem de seus preconceitos contra a fé evangélica como no Natal. Muitos só aceitam o convite para ir a uma igreja nessa época. Espero que não venhamos comemorar apenas o nascimento de Cristo, mas sim os milhares de nascimentos espirituais que deverão acontecer neste Natal.

Finalizando, gostaria de recomendar que fujamos de tudo o que é indevido e celebremos a fé. O meu desejo é que cada um de nós gaste menos dinheiro, coma menos, deixe de imitar costumes inúteis e invista mais no Reino de Deus, evangelizando o maior número de pessoas possível. Só assim teremos, de fato, um Feliz Natal, longe do mal, e um bom Ano Novo, cheio de renovo.


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