Tratos neurais: A parte conservadora do cérebro

A forma conservadora e linear de pensar faz parte da própria constituição humana

Luciano Vilaça - 10/04/2019 11h06

Estamos vivos porque fomos capazes de preservar uma infinidade de repertórios Foto: Shutterstock

O potencial do cérebro só pode ser compreendido se levarmos em conta as suas possibilidades dialógicas e antagônicas, e se resistirmos à tentação de polarizações redutoras, sejam elas de qualquer natureza. A partir de duas formas básicas de organização neural, ele dá forma e estrutura a diferentes sistemas de pensamentos.

O primeiro tipo de organização seria o trato neural, que é um processamento em série, ponto a ponto, lógico, linear e racional: uma causa A inexoravelmente irá produzir um efeito B. Ele é fundamentado em regras e programas prefixados, que obedecem à lógica formal e linear. Nesse universo, regras novas encontram muita resistência e são difíceis de serem aprendidas. Já as antigas, impedidas de serem quebradas.

Esse sistema de pensamento busca previsão, precisão, limites e, sem a complementaridade de sistemas de pensamentos mais empáticos e criativos, pode transformar formas em fôrmas, e caixas lacradas em caixões mórbidos incapazes de abrigar o pulsar da vida que há no novo. Aqui o pensamento está confinado, a consciência é imperiosa e restritiva, por isso, há pouca ou nenhuma criatividade. Esse modo de pensar nos permite analisar, sistematizar e pode ser avaliado através do teste de QI.

Como é possível observar, o cérebro tem um ‘quê’ conservador. A forma conservadora e linear de pensar é necessária e faz parte da própria constituição humana, tal como a evolução. A conservação é também necessária à sobrevivência. Estamos vivos porque fomos capazes de preservar uma infinidade de repertórios, traços psíquicos e culturais, comportamentos e milhares de redes nervosas, ancestrais e primitivas. Conservação também é evolução.

Em outras palavras, pensar dentro da caixa é uma condição indispensável à sobrevivência, de modo que se constitui uma condição existencial e biológica. Mas é também apenas uma parte da história…

Luciano Vilaça é coordenador e professor dos cursos de mestrado e doutorado da Atenas College University. Formado em Liderança pelo Haggai Advanced Leadership Institute – Singapura e em Negotiation and Leadership pela Universidade de Harvard. Destaca-se por sua vasta experiência como psicólogo, psicanalista e consultor de negócios e por sua rica formação acadêmica, incluindo graduações em Direito e Psicologia, especializações em família e negócios, dois mestrados e doutorado por renomadas instituições, como Harvard, UFRJ, FGV, PUC- RJ e Florida Christian University. Autor de vários livros, dentre eles, Dentro e Fora da Caixa.

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