Complexidade: Um referencial conceitual no universo corporativo

As empresas e organizações passaram a ser vistas como organismos, não máquinas

Luciano Vilaça - 05/06/2019 16h31

Até a primeira metade do século XX, as organizações eram estruturadas a partir de uma perspectiva altamente hierárquica e centralizadora. Como um reflexo da cultura masculinizante do seu tempo, as relações eram impessoais e desumanizadas. Com raríssimas exceções, imperavam a verticalização das normas e a burocratização das regras, cuja principal finalidade era prever, quantificar e fiscalizar os comportamentos dos funcionários. As pessoas eram vistas como peças de uma engrenagem organizacional; a força física, as práticas repetitivas e o patrulhamento dos subordinados definiam as relações de trabalho.

As mudanças paradigmáticas ocorridas a partir da segunda metade do século XX trouxeram diversas transformações no funcionamento das organizações, o que daria início a uma nova fase e a novas estruturas e modelos de liderança. Aliás, os referenciais teóricos da Teoria Geral dos Sistemas iriam mudar não apenas a maneira de percebermos o universo corporativo, mas a de compreendermos o mundo. A partir dos postulados da nova teoria, a complexidade, embora ainda de modo incipiente, passou a ser tanto um referencial conceitual, para a compreensão da realidade, quanto um fenômeno do próprio ecossistema negocial e corporativo.

A partir daí, nasce uma nova referência conceitual que iria se contrapor ao cartesianismo e ao mecanicismo Newtoniano que até então vigoravam. Emerge uma visão de mundo complexa e não linear, através da qual não apenas as organizações seriam percebidas, mas todo o cosmo. Embora ainda de modo tímido e incipiente, os modelos de gestão inspirados na física clássica começaram a dar lugar a modelos mais sistêmicos e humanizados.

As organizações passaram a ser vistas como um organismo, não como uma máquina em movimento, sem levar em conta o éthos e as leis da complexidade. As empresas e organizações passaram a ser vistas como uma totalidade integrada, um sistema vivo, adaptativo e complexo, no qual suas diferentes partes se encontram interconectadas, não mais um conjunto de elementos funcionando de maneira isolada.

Trecho adaptado do livro Dentro e Fora da Caixa, de Luciano Vilaça

Luciano Vilaça é coordenador e professor dos cursos de mestrado e doutorado da Atenas College University. Formado em Liderança pelo Haggai Advanced Leadership Institute – Singapura e em Negotiation and Leadership pela Universidade de Harvard. Destaca-se por sua vasta experiência como psicólogo, psicanalista e atuação como coach; consultor de negócios, consultor sênior do GC5 e por sua rica formação acadêmica, incluindo graduações em Direito e Psicologia, especializações em família e negócios, dois mestrados e doutorado por renomadas instituições, como Harvard, UFRJ, FGV, PUC- RJ e Florida Christian University. Autor de vários livros, dentre eles, Dentro e Fora da Caixa.

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